14/08/2010

Os mediia escondem aparecimento da maior fossa comum da América Latina

Azelea Robles*
14.Ago.10 :: Outros autores
Juan Manuel Santos
Há algumas semanas foi descoberta na Colômbia de Uribe e Juan Manuel Santos uma fossa comum com 2.000 cadáveres por identificar, perto da cidade de Macarena. Uribe e o seu ex-ministro da Defesa e actual presidente, Juan Manuel Santos, têm de explicar o monstruoso crime, que políticos e meios de comunicação de todo o mundo procuram, cumplicemente, silenciar.

Na Colômbia descobriu-se recentemente a maior fossa comum da história contemporânea do continente americano, o que foi quase totalmente silenciado pelos mass-media da Colômbia e do mundo. A fossa comum contém os restos de, pelo menos, 2.000 pessoas, está em Macarena, departamento de Meta. Desde 2005 que o exército deslocado na zona, ali sepultou milhares de pessoas sem nome.

A população da região, alertado pelas filtrações putrefactas dos cadáveres para as nascentes das aguas de consumo, e fustigada pelos constantes desaparecimentos já tinha denunciado a existência da fossa por várias vezes, durante o ano de 2009: em vão, pois o ministério público não investigava. Foi graças à perseverança dos familiares de desaparecidos e à visita de uma delegação de sindicalistas e parlamentares britânicos que investigava a situação dos direitos humanos na Colômbia, em Dezembro de 2009, que se conseguiu destapar este crime horrendo cometido pelos agentes militares de um Estado que lhes garante a impunidade.

Trata-se da maior fossa comum do continente. Mais de dois mil corpos numa fossa comum é o assunto grave para o Estado colombiano, mas os seus media e os media internacionais, cúmplices do genocídio, encarregaram-se de o manter sob um quase absoluto silencio, sobre um facto que só encontra atrocidade parecida se recuarmos às fossas nazis…

Este silenciamento mediático está indubitavelmente ligado aos imensos recursos naturais da Colômbia e aos mega-negócios que ali são feitos sob os massacres.

A Comissão Asturiana dos Direitos Humanos, que visitou a Colômbia em Janeiro de 2010 ( menos de um mês após a descoberta da fossa) interrogou as autoridades sobre o assunto… e as respostas foram preocupantes: na Procuradoria, no ministério do Interior, na ONU… todos querem esconder o assunto. Entratanto, «trabalham» na fossa para a minimizar, mas a delegação britânica verificou-a e as mesmas autoridades reconheceram pelo menos 2.000 cadáveres. Em Dezembro, «o alcaide próximo do governo também denunciou o facto junto ao necrotério», mas depois o número de corpos NN…

A delegação asturiana denunciou a vontade ostensiva de alterar a cena do crime: «ali ninguém está protegido. Ninguém está a impedir que se possam disfarçar as provas. Que um tractor entre por ali afora, carregue os cadáveres anónimos e os leve para outro lugar» [1]. «Solicitamos às instituições responsáveis do governo e do Estado colombianos que implementem as medidas cautelares necessárias para assegurar as informações já registadas nos documentos oficiais, que tomem as medidas cautelares necessárias para defender o perímetro e prevenir a alteração da cena, a exumação ilegal dos cadáveres e a destruição do material probatório ali existente (…), fundamental para a criação de um Centro de investigação Forense em Macarena, a fim de conseguir a individualização e a identificação dos cadáveres NN ali sepultados» [2].

A delegação Asturiana transmitiu às autoridades outra denúncia. As autoridades alegaram desconhecimento e incapacidade operacional, pois «há tantas fossas comuns no nosso país que»… Trata-se do município de Argélia em Cauca: um “matadouro” de gente, onde as famílias não puderam ir buscar os corpos dos seus desaparecidos, pois os paramilitares não as deixaram regressar às suas comunidades: deslocaram os sobreviventes. As vítimas sobreviventes relataram: «havia pessoas amarradas a que açulavam cães famintos para as irem matando a pouco e pouco.»

Na Colômbia, a Estratégia Paramilitar do Estado Colombiano, combinada com a actuação dos polícias e dos paramilitares foi o instrumento de expansão dos latifúndios. O Estado colombiano fez desaparecer mais de 50.000 pessoas através de aparelhos oficiais (polícias e militares), e do seu aparelho encoberto: a sua Estratégia Paramilitar [3]. O Estado colombiano é o instrumento da oligarquia e das multinacionais para a sua guerra de classes contra a população: é o garante do saque, a Estratégia Paramilitar insere-se nessa lógica económica [4].

A invisibilização de uma fossa comum das dimensões da fossa de Macarena obedece aos negócios das multinacionais e das oligarquias e no facto da fossa ser o resultado de assassínios feitos directamente pelo exército nacional da Colômbia, o que é mais uma prova do carácter genocída do Estado colombiano, para além do presidente Uribe, cujos negócios e ligações com o narcotráfico e o paramilitarismo estão mais que comprovados [5]. A cumplicidade dos media é criminosa, tanto a nível nacional como internacional. Todos nós devemos romper a barreira de silencio com que se pretende ocultar o genocídio. É urgente um movimento de solidariedade internacional: a Colômbia é, indubitavelmente, um dos lugares do planeta em que o horror do capitalismo se plasma de forma mais evidente na sua violência mais absoluta.

Notas:
(4) Ver mais ssobre a fossa comum e o Terror Estatal:

* Jornalista, historiadora

Este texto foi publicado em www.kaosenlared.net

Tradução de José Paulo Gascão

13/08/2010

Declaração conjunta dos Partidos Comunista Colômbiano e da Venezuela

13.Ago.10
Embora datada do passado dia 5 de Agosto, esta declaração conjunta dos Partidos Comunistas da Venezuela e da Colômbia mantém todo o interesse.
Dirigentes do Partido Comunista Colombiano (PCC) e do Partido Comunista da Venezulea (PCV) se reuniram em Caracas e aprovaram um apelo a nossos povos pela unidade e a se manifestarem massivamente pela paz.
O PCC e o PCV tornaram pública uma declaração conjunta em que analisam a situação provocada pelo governo colombiano e chamam a ambos os povos a «levantar com força as bandeiras da unidade e a se manifestarem massivamente pela paz».
A declaração foi feita pelos dirigentes comunistas Nelson Fajardo, membro do Comitê Executivo Nacional do Partido Comunista Colombiano (PCC) e Carolus Wimmer [ambos na foto], membro do Burô Político do Partido Comunista da Venezuela (PCV).
Texto integral da Declaração:
Os povos da Venezuela e da Colômbia têm a uma história e origens comuns ancestrais, que funde suas raízes na existência de seus primeiros habitantes, iniciadores da luta contra os colonizadores europeus e culminada com êxito nas gestas protagonizadas sob a direção do Libertador Simón Bolívar, cujo sonho de ver toda a América Latina Unida e Caribe unidos se expressa no Congresso Anfictiônico do Panamá, frustrado pela intromissão e intrigas do governo dos EUA. Essa gesta libertária ressurge hoje com força e se expressa na unidade progressista econômica, política e de solidariedade internacionalista, que vai abrindo caminhos de cooperação, de amizade e de paz.
A América Latina vive, em consequência, um momento de mudanças democráticas e progressistas, ao mesmo tempo de duras confrontações diante das ambições do imperialismo, especialmente o norte-americano, para manter o controle hegemônico, econômico, político, militar e obter o controle total sobre os recursos naturais da região, em benefício de suas empresas transnacionais.
Protagonistas principais dessas mudanças têm sido as lutas e mobilizações políticas, operárias, camponesas, indígenas, estudantis, de intelectuais, populares e sociais, sem as quais não se poderia compreender o êxito da democracia e da esquerda, expressadas na gama de governos democráticos, progressistas e de diversa tintura, cada um com suas próprias particularidades.
O regime político colombiano se transformou em ator principal da contra-ofensiva da direita na América Latina. Os interesses do grande capital monopolista transnacional, desenvolve a lógica do chamado capitalismo criminoso, tendência que no caso colombiano se relaciona com o negócio transnacional da cacaína e outros elementos que, por sua vez, alimenta o atual ciclo de violência, articulando formas legais e ilegais de acumulação e como paliativo de parte da crise econômica mundial.
Sob a política da guerra antiterrorista, guerra preventiva, cooperação antiterrorista, o regime da direita colombiana tenta justificar um tipo de relações interestatais que faça o jogo da política expansionsita de Washington, de desestabilizar e derrubar os governos que não são de seu agrado.
O regime político de direita na Colômbia nega a existência de uma guerra civil que tem se prolongado ao longo de mais de sessenta anos, apresentando-a com uma simples “ameça terrorista”. Sob os dois governos de Álvaro Uribe Vélez, a guerra contra-guerrilheira têm se caracterizado por uma crescente linha de submissão aos ditames de Washington e por uma frontal hostilidade contra os processos democráticos nos países vizinhos, nos quais interveio violando o direito internacional, a soberania dos dos Estados e povos e seu direito à autodeterminação.
Em meio às celebrações comemorativas do começo dos processos de independência anticolonialista de há 200 anos, o imperialismo criou pontos críticos de confrontação contra os processos de mudança em curso. De fato reativou a IV Frota Naval a partir de 2008; em fins de 2009 subscreveu com o governo colombiano o tratado para a utilização de 7 (sete) bases militares em território deste país; reinstalou bases militares no Panamá e transformou o território da Costa Rica em uma enorme plataforma para a manutenção da segunda maior base naval do mundo, tudo isso justificado com a desmoralizada “luta contra o narcotráfico e o terrorismo”.
Na Venezuela tem lugar um processo de mudanças revolucionárias políticas, econômicas e sociais que se orientam para a libertação nacional e a criação das condições necessárias para avançar rumo à constituição de um Estado popular, democrático e antiimperialista que, por sua vez, possa abrir caminho para o socialismo.
As relações de amizade, cooperação, respeito mútuo e de paz no quadro da integração e unidade latino-americana exigem hoje um processo de solução política, pacífica e pela via do diálogo e dos acordos para o prolongado conflito armado na Colômbia. Uma condição geral insubstituível é a não intervenção nem a ocupação militar de qualquer país pelas tropas de outro. A Corte Constitucional colombiana discute a inconstitucionalidade do tratado com os Estados Unidos para a utilização de 7 bases militares e se posicionará a respeito. Da mesma forma, deve cessar o Plano Colômbia como pretexto de projetos antinarcóticos.
Exigimos o reestabelecimento das normas da coexistência em paz entre países que desenvolvam projetos sócio-políticos diferentes. As diferenças ideológicas e políticas não implicam a exclusão do respeito mútuo, da cooperação e da obrigação de resolver por vias negociadas todo tipo de conflito entre nações, fazendo-o no âmbito de instituições latino-americanas, outorgando um papel protagônico à UNASUR.
Um conflito entre países irmãos só interessa ao imperialismo norte-americano, especialmente ao complexo militar-industrial e à extrema direita de nossos países. O reatamento pleno das relações entre Colômbia e Venezuela é uma necessidade dos processos integração latino-americano e uma contribuição à justiça social dos povos.
A defesa da paz, da unidade e da soberania dos países de nossa região é decisiva para desenvolver e aprofundar os processos de democracia, justiça social e independência da América Latina e Caribe.
Baseados nisso, chamamos nossos povos a levantar com força as bandeiras da unidade, a se manifestarem massivamente pela paz entre nossos povos e governos, na luta pela integração latino-americana e caribenha, pela soberania nacional e pela democracia plena.
DETENHAMOS A AMEAÇA DE GUERRA!
VIVA A AMIZADE E INTEGRAÇÃO ENTRE OS POVOS DA COLÔMBIA E VENEZUELA!
PARTIDO COMUNISTA COLOMBIANOPARTIDO COMUNISTA DA VENEZUELA

Caracas, 05 de Agosto de 2010

12/08/2010

Alastra o temor de uma agressão no Irã

Na última semana dezenas de media progressistas divulgaram em todo o mundo artigos e reportagens sobre a iminência de uma agressão militar ao Irão. O projecto de uma invasão terrestre do país foi considerado inviável pelo Pentágono. Atolados no Afeganistão e no Iraque, os EUA não dispõem de forças para se envolverem numa guerra convencional num pais gigantesco e bem armado. Mas pressões da extrema-direita norte-americana e de Israel para que as instalações nucleares do Irão sejam bombardeadas aumentaram nos últimos dias. O recurso a armas nucleares tácticas tem sido defendido por generais do Pentágono e admitido pelo presidente Obama. A crónica que publicamos, da TV Al Manar, do Libano, reflecte o temor de uma agressão militar que seria o prólogo de uma tragédia para a humanidade.
A partir de 1945, os EUA já tentaram derrubar pelo menos 50 governos estrangeiros – incluída a última tentativa, em curso, de derrubar o governo eleito do Irão. Essa vergonhosa estatística não é resultado apenas de má política externa; quando o presidente Obama assinou a decisão e converteu em lei, dia 1/7/2010, as sanções contra o Irão, não cometeu erro de desatenção, nem errou por descuido. A política externa dos EUA pode ser comparada à ação de um assassino serial.
Estrangulamento econômico e agressão militar contra o Irão
As sanções agem em silêncio, mas são terrivelmente mortíferas. Matam combatentes e não-combatentes indiscriminadamente e covardemente. Basta ver as sanções que os EUA impuseram ao Iraque: o pesquisador Richard Garfield estima que “pelo menos 100 mil ou, em avaliação mais rigorosa, mais de 220 mil recém-nascidos e bebês morreram, no Iraque, entre agosto de 1991 e março de 1998, por causas motivadas ou diretamente relacionadas às sanções econômicas”.
O governo Obama divulgou as sanções econômicas dos EUA contra o Irão como se fossem medidas “pacíficas” – tentativa pacífica de asfixiar a economia iraniana, cujo único objetivo era tentar pacificamente paralisar o país. Não bastasse, no final de junho cerca de uma dúzia de navios de guerra dos EUA e pelo menos uma corveta israelense cruzaram o Canal de Suez seguidas de três esquadras navais – em ato flagrante de provocação e tentativa de intimidação, que veio coordenado com agressiva retórica imperialista.
Dia 1º de agosto, o almirante Mike Mullen – chefe do Estado-maior do exército dos EUA, disse que os EUA têm planos prontos para atacar o Irão. Falando no domingo ao programa “Meet the Press” da rede NBC, Mullen disse que “as opções militares estavam sobre a mesa e continuam sobre a mesa. Espero que não cheguemos até lá, mas é opção importante e é opção já bem compreendida”.
Grande número de jornalistas, dos mais bem qualificados aos inqualificáveis, têm-se dedicado a converter a Resolução n. 1.553 da Câmara de Deputados dos EUA, em petulante brincadeira de desocupados; convertendo o que bem poderia ser uma avalanche de repúdio nascida da opinião pública norte-americana, em retórica a mais oca, para assim suavizar o que jamais deixou de ser manobra política de alto conteúdo tóxico.
O corpo de jornalistas-correspondentes dos grandes jornais já nem falam do número de baixas na população civil, na pobreza e na subpobreza em que naufragam os territórios palestinos ocupados pela entidade sionista ou da grotesca cumplicidade entre regimes ocidentais. Nada disso. A cobertura que a imprensa, jornais e televisão, oferece da invasão, nos dois casos, tanto no Iraque quanto no Afeganistão, começou com algum alarido e rapidamente se converteu em sussurro, para só reaparecer, sempre tímida, quando clamam aos céus as cinzas de grande número de mortos ou acontece algum aniversário ‘histórico’ sem importância alguma.
Se, ou quando, o Irão for militarmente agredido, não será diferente.
A Câmara de Deputados dos EUA ‘exige’ guerra
A Resolução 1.553 da Câmara de Deputados dos EUA não finge nem tenta fingir que ‘anseia’ por alguma paz. Sua razão de ser vem explícita, jogada à cara do mundo:“Expressamos integral apoio ao direito do Estado de Israel (…) de usar todos os meios necessários para enfrentar e eliminar a ameaça que vem da República Islâmica do Irão, inclusive o direito de usar força militar.”
Os deputados Republicanos dos EUA deram carta branca a Israel, hoje envenenada e que pode, em breve, estar também encharcada de sangue; o Estado sionista recebeu luz verde e os deputados dos EUA lhes gritam “Abrir fogo!”
Independente do que o conjunto hoje hegemônico de pseudo-intelectuais e políticos queira fazer-crer ao mundo, Israel não tem qualquer preocupação com a opinião pública, sempre que se trata de agir ao arrepio da lei internacional e de qualquer lei. Incontáveis vezes, sempre e sempre, Israel já deu provas de que sua agenda está acima de qualquer lei, e ninguém, até hoje, conseguiu levar o regime sionista às barras de algum tribunal, ou obrigá-lo a prestar contas de uma lista-de-lavanderia de crimes de guerra contra o povo palestino e o povo libanês. Israel não é Estado de Direito e jamais obedeceu a lei alguma, sempre em conluio com seu parceiro de crimes, os EUA.
As forças de ocupação israelenses já treinam para atacar o Irã
Dia 30 de julho, a mídia em Israel noticiou que as Forças de Ocupação Israelenses estavam em “treinamento militar na Romênia, em terreno montanhoso e de cavernas, semelhante aos túneis de montanha nos quais o Irão enterrou suas instalações nucleares. Seis aviadores israelenses morreram em acidente com um helicóptero Sikorsky “Yasour” CH-53 nas montanhas dos Cárpatos romenos, na 2ª-feira, 26/7. O acidente ocorreu na fase final de exercício conjunto de três exércitos, EUA-Israel-Romênia[1], em que se simulava um ataque ao Irão”.
A rede PressTV libanesa noticiou, dia 1º/8, que Israel ameaça abertamente bombardear as instalações nucleares iranianas há anos, mas “a probabilidade de ataque desse tipo aumentou significativamente, dada a crescente impaciência de Telavive com as sanções do Conselho de Segurança da ONU e dos EUA e outras medidas assemelhadas adotadas unilateralmente pelos EUA e pela União Europeia, que até agora não apresentaram o resultado esperado de alterar a posição de Teerã, de defender seu programa nuclear para fins pacíficos.”
Ouvem-se mais altos os tambores de guerra e o sinal é mais claro
Senadores dos EUA declararam, em uníssono, que as sanções contra o Irão não impedIrãoo a República Islâmica de perseverar em suas “ambições nucleares” – em termos que leigos entendam: os políticos norte-americanos ‘exigem’ que o Irã pare de fazer o que o Irã já declarou incontáveis vezes que não está fazendo. Se o Irão não parar de fazer o que não está fazendo (i.e. fabricando bombas atômicas etc.), haverá consequências, incluído aí um cenário de Apocalipse, que interessa muito, é claro, a Israel.
Do senador dos EUA Joseph Lieberman, “Bombardeiem o Irão”:
“Considero profundamente importante que a liderança iraniana fanática entenda que falamos muito sério sobre o programa de bombas atômicas deles, e se dizemos que não aceitamos que o Irão se torne nuclear, não aceitamos e não aceitaremos – e podemos e faremos qualquer coisa para impedir que o Irão se torne nuclear.
Depois virão as sanções, sanções violentas, sanções econômicas. Francamente, é a última chance que damos ao Irão de pouparem o mundo inteiro, inclusive os EUA, de terem de tomar uma dura decisão entre permitir um Irão nuclear e usar nosso poder militar para impedir que continuem nucleares.”
Do senador dos EUA Evan Bayh:
“Temos de considerar a opção final, o uso da força para impedir o Irão de construir uma arma nuclear.”
De Leon Panetta, diretor da CIA:
“Acho que as sanções terão algum impacto (…) Mas afastarão o Irão de suas ambições de alcançar capacidade nuclear? Provavelmente, não.”
Na reunião do G8, em julho, o presidente Obama declarou que o Irão teria prazo até setembro para aceitar as propostas internacionais que visam a impedir que a República Islâmica desenvolva armas nucleares. Setembro é o prazo final.
Os EUA não agirão sozinhos em guerra contra o Irão, nem nada leva a crer que os EUA declararão guerra ao Irão. Israel, que já provou sobejamente apoio integral ao terrorismo imperialista terá a tarefa de acender o pavio. Afinal de contas, quem impedirá a entidade sionista ilegal de fazer no Irão o que já fez no Líbano e em Gaza e faz em cada precioso palmo da terra palestina ocupada?
O Irão já se manifestou claramente, sem meias palavras, como tantas outras vezes. O embaixador do Irão à ONU, Mohammad Khazai, já disse que “se o regime sionista cometer qualquer agressão em território do Irão, incendiaremos todo o front dessa guerra que eles inventaram, e Telavive arderá.”
Setembro está perto e logo saberemos se Israel e EUA cumprIrãoo, ou não, suas muitas ameaças. Todas as guerras provocadas por Israel ao longo de sua história de perversidades foram guerra de agressão ditas ‘preventivas’. O tempo dirá se tentarão acrescentar o Irão, como mais uma marca em pistola de matador. Se tentarem, saberão: foi a última vez.
Notas:
[1] Sobre o acidente e esses exercícios militares, ver Robert Fisk, 2/8/2010, The Independent, em português “Israel já se meteu pela União Europeia adentro… e ninguém viu!”, no Blog O outro lado da notícia, www.vermelho.org.br/blogs/outroladodanoticia/?p=44375).
Este texto foi publicado no web site da Al-ManarTV de Beirute, Libanowww.almanar.com.lb/NewsSite/NewsDetails.aspx?id=148986&language=en
Tradução de Caia Fittipaldi