01/06/2009

Um retrato honesto da experiência venezuelana

Livro analisa conquistas e limites do processo político venezuelano. Em "A Revolução Venezuelana", Gilberto Maringoni desvenda o enigma oculto sob a campanha midiática anti-chavista: como é possível que um caudilho supostamente tão desastrado mantenha altíssimos índices de apoio popular durante tanto tempo? Para o autor, é errado reduzir, como insistem os detratores da experiência venezuelana, o prestígio de Chávez à bonança petroleira da última década.
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O artigo é de Igor Fuser.
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Na lista dos demônios da mídia empresarial, o posto número 1 pertence, disparado, a Hugo Chávez, com sua boina vermelha e língua ferina. Raramente se passa um dia sem que alguma publicação da chamada “grande imprensa” despeje regulares doses de veneno contra o presidente venezuelano, apresentado como louco, fanfarrão, ditador ou incompetente. Essa cantilena se mantém há mais dez anos. Para ser exato, desde o início de 1999, quando o antigo coronel iniciou, após sua chegada ao governo, a transformação de um dos países de estrutura social mais iníqua no planeta – mais de 50% dos habitantes na miséria, em contraste com os lucros nababescos das exportações de petróleo – em uma referência mundial para todos os que cultivam os valores da justiça e da igualdade.
O livro de Gilberto Maringoni (A Revolução Venezuelana, Editora Unesp, 2009) merece ser saudado com um antídoto perfeito contra a manipulação informativa que, na imprensa brasileira, atingiu as raias de uma lavagem cerebral. Jornalista e historiador, Maringoni fala de um tema que conhece em primeira mão. Viajou várias vezes à Venezuela e lá entrevistou quase todos os nomes que valiam a pena no tumultuado enredo político local – dos caciques da oposição conservadora, como Teodoro Petkoff, às figuras mais graduadas do regime esquerdista, entre as quais o próprio Chávez, além das mais variadas fontes na esfera acadêmica.Com dados confiáveis em mãos, o autor desvenda o enigma oculto sob a campanha midiática anti-chavista: como é possível que um caudilho supostamente tão desastrado mantenha altíssimos índices de apoio popular durante tanto tempo? É errado reduzir, como insistem os detratores da experiência venezuelana, o prestígio de Chávez à bonança petroleira da última década. O Venezuela já viveu outros períodos de alta dos preços do petróleo, sem que a população tivesse tido acesso a mais do que umas magras migalhas do banquete. A marca da gestão chavista é algo que as primeiras gestões municipais petistas defendiam no Brasil e que, lamentavelmente, diluiu-se no lodaçal dos compromissos com as classes dominantes: a inversão das prioridades em favor das multidões oprimidas, ainda que ao preço do confronto aberto contra as elites privilegiadas.
Na Venezuela, os gastos sociais aumentaram de 8,2% do PIB, em 1998, para 13,6% em 2006. Os índices de pobreza caíram de 55,1% para 27,5%. O salário mínimo se elevou numa escala sem precedentes em qualquer outro país do chamado Terceiro Mundo e milhões de venezuelanos passaram a ter acesso a uma infinidade de benesses antes inalcançáveis – desde serviços essenciais, como assistência médica e dentária, aos ícones do consumo descartável, como telefones celulares. Nesse cenário em que a mudança passa do plano da retórica para a existência cotidiana, torna-se fácil entender porque Chávez foi vitorioso em todas as freqüentes consultas eleitorais que promoveu, com apenas uma exceção.
O grande mérito de Maringoni é que ele não se limita a salientar as conquistas do processo político venezuelano, mas também aponta, sem medo de entrar em polêmica com os defensores mais entusiastas do chavismo, os limites do festejado “socialismo do século XXI”. Concretamente: após dez anos de “revolução bolivariana”, o velho modelo de desenvolvimento dependente latino-americano, erigido com base na exportação de produtos primários (no caso, o petróleo), permanece inalterado. Os ganhos desse modelo, é verdade, passaram a beneficiar, pela primeira vez, a maioria da população, sobretudo depois que Chávez retirou a estatal Petróleos de Venezuela S.A. (PDVSA) das mãos da camarilha que a controlava, enquadrando a empresa sob o controle público. Mas o caminho ainda está no seu início: “O Estado continua ineficiente, lerdo, corrupto e avesso às interferências populares”, escreve o autor. Mesmo que seja prematuro falar em uma verdadeira revolução na Venezuela, é inegável que o governo de Chávez mudou a face política daquela sociedade e, em certa medida, de toda a América do Sul. A influência venezuelana se faz presente em todo um conjunto de países onde, pela primeira vez, o poder de Estado passa a ser exercido em benefício das maiorias. Como afirma Maringoni, referindo-se à época de ofensiva conservadora mundial pós-1989: “A Venezuela é, com todos os problemas, o país onde mais se avançou, nesse período, na contestação ao neoliberalismo e no questionamento do poder global dos Estados Unidos.” Aí reside a explicação para o ódio que Chávez desperta entre os donos da mídia brasileira e internacional. Ele é, de fato, um sapo difícil de engolir.
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(*) Igor Fuser é jornalista, professor na Faculdade Cásper Líbero, mestre em Relações Internacionais e doutorando em Ciência Política na Universidade de São Paulo.
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Título: A Revolução Venezuelana
Autor: Gilberto Maringoni
Número de páginas: 200
Formato: 10,5 x 19 cm
Preço: R$ 20
ISBN: 978-85-7139-904-4
Coleção: Revoluções do Século 20

28/05/2009

TODO APOIO AOS TRABALHADORES DO SERVIÇO PÚBLICO MUNICIPAL DE CAMPINAS


O Partido Comunista Brasileiro (PCB) manifesta seu mais irrestrito apoio à greve dos trabalhadores e trabalhadoras do serviço público municipal de Campinas. As marchas, manifestações e a presença de milhares de servidores municipais nas assembléias, demonstram a força do seu movimento. Uma força que nasce da indignação dos servidores com os salários baixos e as péssimas condições de trabalho. A força da greve dos companheiros e companheiras do serviço público também é uma reação aos efeitos perversos da crise econômica sobre os interesses dos trabalhadores que têm resultado em arrocho salarial, desemprego e retirada de direitos sociais.
O governo Hélio (PDT) entupiu a população de Campinas com uma propaganda que mostrava uma cidade que só existia na fantasia. A realidade, porém, é muito diferente. Os servidores e servidoras municipais, por prestarem um serviço público essencial à população, sabem da situação dramática dos serviços públicos e resistem à política privatista e antipopular perpetrada pelo governo Hélio. A imprensa local, como é o caso do Correio Popular, está em plena campanha contra o movimento grevista, alegando que os serviços essenciais não podem parar. Esquecem, contudo, de dizer que o que impede o acesso universal da população a um serviço público de qualidade é a política privatista e de sucateamento dos serviços públicos implementada pelos governos neoliberais nos últimos anos.
Hélio governa Campinas para atender os interesses do grande capital. Seguindo à risca a cartilha neoliberal, Hélio privatiza e terceiriza os serviços públicos. Grandes obras construídas com dinheiro dos contribuintes têm suas administrações entregues para empresas privadas como é o caso do Hospital Ouro Verde. Hélio quer fazer o mesmo com as Naves Mães, entregando sua gestão para fundações privadas. Hélio fez aprovar na Câmara de Vereadores um projeto de Parceria Público-Privada (PPP), que entrega de graça o patrimônio público municipal para empresas privadas. Tudo isso contribui para precarizar os serviços públicos, para rebaixar os salários dos servidores municipais e encher os bolsos dos donos do capital.
Por esse motivo, a luta dos trabalhadores e trabalhadoras do serviço público municipal de Campinas é mais do que uma luta por salários. Trata-se de uma luta contra a privatização e o sucateamento do serviço público, uma luta pelo resgate da dignidade do servidor público e pela defesa de um serviço público de qualidade e de acesso universal para todos.
Viva os trabalhadores do serviço público municipal de Campinas!!!
Viva a Greve!!!
Nenhum direito a menos avançar nas conquistas!!!
Campinas, maio de 2009.
Partido Comunista Brasileiro de Campinas e região.

27/05/2009

Vida Bandoneón: Uruguai se despede de Mario Benedetti

Escritor uruguaio dos mais reconhecidos na América Latina, Benedetti morreu no domingo último em sua casa, aos 88 anos, após uma carreira literária de seis décadas. Benedetti tinha sido internado num hospital particular no final de abril, depois de diagnosticada uma doença intestinal crônica, e os médicos lhe deram alta no início de maio. "Aparentemente ele estava melhorando; os médicos diziam que estava se recuperando. Por isso, sua morte nos pegou de surpresa", comentou seu irmão Raúl aos canais de TV uruguaios.
A morte de Benedetti reuniu milhares de uruguaios para se despedirem ontem (20) do escritor. Os restos mortais de Benedetti foram conduzidos por trabalhadores e estudantes até o Panteão Nacional do Cemitério Central de Montevidéu, em meio a um eloqüente silêncio somente interrompido por respeitosos aplausos quando o caixão chegou ao destino. "Hoje enterramos um homem que acreditava na esperança de que as coisas, essas que todos sabemos importantes — amor, justiça, solidariedade, honestidade, rigor, entrega de vida — podem ser atingidas", disse na ocasião Hugo Achugar, diretor de Cultura do governo uruguaio.
O cantor e compositor e amigo íntimo de Benedetti, Daniel Viglietti lembrou que "estamos todos consternados, como escrevia ele quando morreu o Che, mas sua caneta nos deixa a alma cheia de versos simples, simples na altura, como aqueles versos do cubano José Martí que ele tanto admirava". Ainda no domingo, após a notícia do falecimento, familiares e amigos começaram a chegar à casa do poeta, no centro da capital uruguaia, cidade que Benedetti sempre mencionava em seus escritos. Benedetti nasceu em 14 de setembro de 1930 no departamento de Tacuarembó, no norte do Uruguai, exilou-se durante a ditadura que desgovernou o país de 1973 a 1985, vivendo em Madri por boa parte desse período. Vários de seus poemas, escritos durante a ditadura e nos últimos anos, foram dedicados a vítimas da repressão militar, como o senador de esquerda e amigo íntimo Zelmar Michelini, seqüestrado e morto em Buenos Aires em 1976. Benedetti ficou famoso em 1956 com a publicação de "Poemas de la Oficina", sobre a rotina do trabalho.
Fonte: Carta Maior