04/11/2009

A greve dos Correios: CUT/CTB e alguns “desavisados” dizem que foi uma vitória o acordo que assinaram com o governo a revelia dos trabalhadores

Fonte: Intersindical (Instrumento de Luta e Organização da Classe Trabalhadora)
28/10/2009
A Federação Nacional de Trabalhadores em Empresas de Correios, Telégrafos e Similares (Fentect) é dirigida em sua maioria pela CUT e pela CTB e o papel que cumpriu nessa campanha salarial foi o de garantir que as propostas do governo Lula fossem impostas a qualquer custo aos trabalhadores.
A greve começou forte e atingiu as principais regiões do País, mas a Federação junto com os Sindicatos que seguem sua política fizeram de tudo para encerrar o movimento na categoria.Chefes e gerentes participando das assembléias dos trabalhadores, agressão física contra as Oposições que se organizam pela base.
Assinaram o acordo a revelia da decisão dos trabalhadores que votaram contra a proposta do governo de 9% de reajuste válido por 2 anos.
Divulgam o acordo como se os trabalhadores tivessem garantido 9% para 2009 mais 9% para 2010, o que não é verdade. São 9% agora e nada em 2010, pois nesse ano vão virar as costas para os trabalhadores e jogar todo o peso nas eleições.
Não se esperava outra postura da CUT e da CTB que embora sejam duas centrais sindicais, agem da mesma forma; conchavo com os patrões e submissão ao governo. Agora a triste novidade são setores do psol que estão tentando criar uma nova central também defenderem que a proposta do governo é boa. Divulgaram isso em nota conjunta com a CTB e a Conlutas na região de Campinas/SP e também no jornal dos Químicos Unificados de Campinas, Osasco e Vinhedo/SP.
Nós da Intersindical estamos organizados em importantes Sindicatos dos Trabalhadores nos Correios e também construindo Oposições nas bases dirigidas pelos pelegos.
Nessa greve junto com os trabalhadores ampliamos a mobilização na categoria e fomos contra a proposta do governo de tentar impedir os trabalhadores de reivindicar reajuste salarial e avanço nos direitos a cada campanha salarial.

31/10/2009

Ministério do Trabalho flagra trabalho escravo em obras de empresa de telefonia

Dezoito trabalhadores de uma subempreiteira que presta serviços para empresa de telefonia Claro foram encontrados em condições de serviço, moradia e higiene considerados "degradantes" e semelhantes ao regime de escravidão pelo Ministério do Trabalho. Desde o dia 27 de setembro, um grupo de operários recrutado no Norte do Rio de Janeiro, atuava na escavação de canaletas, por onde passariam cabos óticos da operadora de celular, sem receberem qualquer valor ou abono pelo serviço.

O Ministério do Trabalho, conforme relatou o superintendente Alcimar Candeias, chegou até os trabalhadores por intermédio de informações repassadas ao órgão federal. A denúncia dava conta de que os trabalhadores da terceirizada estavam alojados em um galpão no bairro Cobilândia, em Vila Velha, sem segurança ou alimentação regular.

Durante a averiguação das informações, os fiscais acabaram descobrindo que, além da moradia irregular, as condições de trabalho a que os homens eram submetidos também estavam em desacordo com o previsto pelo órgão.

"Aquilo que deveria ser descente e seguro para eles não era e constatamos em paralelo que eles foram arregimentados ilegalmente no Rio de Janeiro por uma subempreiteira que vem fazendo trabalho de cabeamento para essa empresa de telefonia celular".

Candeias salientou que os trabalhadores teriam sido recrutados pela Relacom Serviços de Engenharia e Telecomunicação, uma empresa prestadora de serviços à Del Construções. Esta última, teria sido contratada pela Claro para a realização das obras de cabeamento.

Inicialmente, o contrato firmado entre a Relacom e os trabalhadores, previa a estadia deles em casas, em que os valores seriam custeados pela contratante. Alguns operários receberiam R$3,00 por metro escavado e outros, R$30,00 por dia.

O superintendente esclareceu, entretanto, que desde setembro, mês em que vieram para o Espírito Santo, os trabalhadores não chegaram a receber qualquer valor pelos serviços prestados e sequer tinham a carteira assinada.

"Trata-se de um serviço totalmente irregular. Eles foram trazidos sem vínculos formalizados. Muitos deixaram as carteiras de trabalho possivelmente na sede da empresa que os chamou para trabalhar e outros nem carteira têm".

Falta de exames médicos
Candeias ainda disse que a companhia deveria ter marcado exames médicos para os funcionários e, a partir daí, acionar o Ministério do Trabalho, e comunicar ao órgão os trabalhos que seriam executados no Espírito Santo, já que, nesse caso, há alteração da residência de origem dos trabalhadores.

Além das condições de serviço, que se estendiam inclusive aos finais de semana, o Ministério do Trabalho apontou que o galpão onde os homens dormiam estavam em condições degradantes de sobrevivência. "Eles dormiam em colchonetes, no chão. O banheiro sequer tinha papel higiênico".

Após o flagrante, os trabalhadores foram retirados do alojamento e levados a um hotel da Grande Vitória. O Ministério do Trabalho deve acionar as três empresas responsáveis pela obra para se manifestarem ainda nesta sexta-feira (16). Caso as organizações não esclareçam a situação, poderão ser penalizadas pela ocorrência.

O outro lado
A empresa de telefonia Claro afirmou que só vai se manifestar após ser notificada pelo Ministério do Trabalho

30/10/2009

Nota de repúdio a mais uma ação da governadora Yeda contra os lutadores populares do RS

Nesta quinta-feira, dia 29 de outubro, no final da tarde, a Polícia Civil do Rio Grande do Sul apreendeu panfletos, cartazes, chapas de impressão e dois computadores na sede da Federação Anarquista Gaúcha (FAG), e encaminhou os militantes presentes para a 17ª DP. Os advogados da FAG garantiram a liberação dos companheiros.

Em mais de uma frente de ação, tanto na capital quanto no interior, temos a felicidade de contar com estes companheiros para a luta anticapitalista unitária. De forma construtiva e respeitosa, temos tido a oportunidade de superar preconceitos infundados que separavam certos comunistas de certos anarquistas, construindo a unidade dos lutadores com perspectiva e prática classista e revolucionária.

Yeda Crusius decidiu mover uma ação por “injúria, calúnia e difamação”, em função de cartazes da FAG onde a governadora é responsabilizada pelo assassinato do sem-terra Elton Brum da Silva. A governadora, que recentemente se livrou de ser investigada por corrupção na Assembleia Legislativa (casa tão desmoralizada quanto o Executivo), decidiu agora ir à forra e retomar a sua campanha de criminalização das lutas e dos movimentos populares. Não bastassem os assassinatos de lideranças populares, cometidos pela Brigada Militar em sua gestão – do qual o caso do companheiro Elton é apenas o mais recente - , temos percebido uma mobilização crescente do aparelho repressor do Estado contra a nossa militância.

Em março deste ano, militantes do PCB, que realizavam atividade de solidariedade ao MST no interior do estado, foram abordados por policiais militares que os forçaram a entregar dados pessoais para um “cadastro de militantes e simpatizantes do MST no RS”. Como a Brigada Militar atua como força auxiliar do latifúndio e suas milícias, temos razões para nos mantermos alertas.

Ainda mais recentemente, agora neste mês de outubro, o nosso camarada Pedro Munhoz, cantor e compositor, sofreu duas sérias tentativas de intimidação. A primeira quando cantava em Alvorada com o grupo Teatro Mágico, e outra após a sua participação no ato-show Fora Yeda. Nas duas oportunidades Pedro declamou no palco o seu belo poema “Quando matam um sem-terra”, que deve incomodar bastante a governadora porque toca com propriedade em algumas feridas: debaixo de um capacete / Dá a ordem o Gabinete, / (…) quando matam um Sem Terra / outras batalhas se espera, / dois projetos em disputa. / Não se desiste da luta, / quando matam um Sem Terra.

Pedro não deixará de cantar e declamar sua poesia, como nós não deixaremos de lutar lado a lado com o MST, a FAG, e com todos aqueles que se colocam na luta revolucionária contra o capitalismo.

Conclamamos todos os lutadores da classe trabalhadora a dobrarem a vigilância e a multiplicarem a solidariedade.


29 de outubro de 2009,

Comissão Política Regional do PCB no RS