06/03/2009

OBAMA RETIRA TROPAS DO IRAQUE PARA MANDÁ-LAS AO AFEGANISTÃO

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Renato Nucci Junior
(PCB – Campinas)
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Barack Obama anunciou em 27 de fevereiro, um plano de retirada das tropas norte-americanas do Iraque até 31 de agosto de 2010. O anúncio parece atender às promessas feitas ao longo de sua campanha presidencial, além de corresponder a certas expectativas quanto ao seu governo, ilusórias como demonstraremos, mais aberto ao diálogo e por esse motivo mais propenso a buscar a “paz”.

No anúncio do plano feito em um discurso para cerca de 2 mil marines, Obama também declarou que os Estados Unidos estão “deixando o Iraque para o seu povo”. Disse também, em mensagem aos iraquianos, que os Estados Unidos “não reivindicam o seu território nem os seus recursos”. As declarações contrastam com o resultado de seis anos de ocupação militar norte-americana. Revelam o cinismo de Obama, pois parece que nada aconteceu com o Iraque desde 2003, quando tropas norte-americanas invadiram o país, sob o pretexto mentiroso de encontrar armas de destruição em massa. Obama não fez sequer um pedido de desculpas aos iraquianos quanto aos resultados catastróficos da ocupação, que deixou em seu rastro cerca de 1 milhão de pessoas mortas e um país devastado econômica e politicamente. Tudo para que o imperialismo norte-americano em associação com os britânicos pudesse colocar suas garras nas imensas riquezas petrolíferas iraquianas, ao contrário do que afirmou em seu discurso o novo plantonista da Casa Branca.

Quanto ao plano de retirada, quando se observam seus detalhes, se constata a inexistência de qualquer tendência pacifista no novo presidente norte-americano. Os Estados Unidos ainda manterão até o final de 2011 de 35 a 50 mil soldados no Iraque, com a incumbência de realizar as tarefas que desde o início da ocupação já desempenhavam: treinar as forças militares e policiais locais, proteger projetos civis de reconstrução e executar operações especiais de “contra-terrorismo”. Não existe qualquer retirada total de tropas do Iraque, mas uma diminuição no contingente militar. Portanto, a ocupação do território iraquiano por uma força invasora ainda permanece.

O plano de Obama visa atingir dois fins: diminuir o desgaste na imagem dos Estados Unidos provocado pela guerra e disponibilizar mais tropas e recursos do orçamento para a guerra no Afeganistão, igualmente ocupada por tropas norte-americanas em aliança com outros países. A nação centro-asiática, primeira vítima da agressão norte-americana após os ataques de 11 de setembro, é vista hoje como uma frente de batalha mais importante do que o Iraque.
A principal razão para esse deslocamento na prioridade dos Estados Unidos é o de reforçar sua posição na Ásia Central. Os estrategistas da Casa Branca querem criar um cordão de isolamento na região para conter a influência crescente da Rússia e da China, países que celebraram recentemente um acordo de cooperação econômica e militar, junto com outras nações dotadas de importantes reservas de gás e petróleo, como o Azerbaijão.

À medida que avança a gestão Obama, paulatinamente se desvanecem as ilusões quanto ao caráter de seu governo. Seu objetivo, como o de todo presidente norte-americano eleito com o apoio político e financeiro dos grandes oligopólios capitalistas do país, é o de defender os interesses imperialistas dos Estados Unidos. Desse modo, não cabem ilusões, Obama é mais do mesmo, com a diferença talvez de ser mais hábil na busca de seus fins do que o seu antecessor. O que, diga-se de passagem, não é muito difícil.


Campinas, março de 2008.

04/03/2009

PCB DESTITUI DIREÇÃO DO PARTIDO NA PARAÍBA!

Por iniciativa do Comitê Regional do PCB na Paraíba, em agosto de 2007 o TRE desse Estado cassou o mandato do Governador Cássio Cunha Lima (PSDB) por corrupção eleitoral e determinou a posse do segundo colocado, o Senador José Maranhão (PMDB).

O Comitê Central do PCB recorreu contra a posse do segundo colocado, pedindo a anulação de todo o processo eleitoral e a convocação de novas eleições gerais no Estado para Governador, Senador, Deputado Federal e Estadual. Entendemos que o abuso de poder contaminou todo o processo eleitoral no Estado, já que as campanhas para Governador influenciam as dos demais cargos estaduais.

O TRE da Paraíba e o TSE rejeitaram a tese do PCB, o que resultou na recente posse do segundo colocado. Em Nota Pública, a Direção Nacional do PCB deixou claro “que o PCB não terá qualquer participação no novo governo do Estado da Paraíba, com relação ao qual guardaremos total independência política”.

Foi com perplexidade, portanto, que tivemos conhecimento de que membros da direção regional do Partido na Paraíba tomaram posse ontem em cargos de confiança, nomeados pelo novo Governador do Estado.

Diante disso, o Secretariado Nacional do PCB decide:

a – destituir, política e juridicamente, toda a direção regional do PCB na Paraíba e desautorizar qualquer militante no Estado a falar em nome do Partido;

c – instaurar processo de natureza disciplinar contra todos os membros do PCB que assumiram cargos de confiança no novo governo ou que tenham contribuído nesse sentido;

d – considerar como expulsos do PCB todos os que se mantiverem nos cargos assumidos, a partir desta data.

O PCB certamente tirará lições deste episódio, em que acabou sendo usado, de forma reincidente, por carreiristas e oportunistas, numa disputa entre setores da oligarquia pelo controle da máquina do Estado.

A reconstrução do Partido no Estado da Paraíba terá que ser obra de verdadeiros comunistas, que não confundam o PCB com qualquer agremiação burguesa ou reformista.
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Rio de Janeiro, 4 de março de 2009
Ivan Pinheiro
Secretário Geral do PCB
Pelo SECRETARIADO NACIONAL DO PCB

03/03/2009

SOLIDARIEDADE AO MST

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Nota política do PCB.
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Com o agravamento da crise do capitalismo, a burguesia recrudesce em âmbito mundial o discurso repressivo, para justificar a criminalização de movimentos sociais, na tentativa de minar a resistência do proletariado frente à ofensiva contra direitos trabalhistas e sociais.
No Brasil, a burguesia escolheu o MST como inimigo principal, exatamente por suas qualidades enquanto movimento social combativo, por sua forma de se organizar e de lutar, inclusive para além dos marcos institucionais.
Já há algum tempo, todo o aparato de propaganda da imprensa burguesa e as instituições e agentes a seu serviço promovem uma campanha de satanização do MST, à qual se incorpora agora a cúpula nacional do judiciário e do legislativo. O objetivo agora é a criminalização de lideranças e a ilegalização do movimento.
As forças populares e democráticas, a intelectualidade progressista e os demais movimentos sociais não podem deixar neste momento de expressar sua mais firme e militante solidariedade ao MST e a todos os movimentos de luta pela terra e pela moradia.
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Rio de Janeiro, 1º de março de 2009
Secretariado Nacional
PCB – Partido Comunista Brasileiro