27/02/2009

A CRISE É GRAVE. A RESPOSTA É A LUTA!

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(Nota Política do PCB)
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A atual crise econômica do capitalismo, que vem se desenhando desde os anos 90, tem caráter sistêmico e estrutural. É uma crise de superacumulação e de realização de mercadorias.

Um dos principais fatores responsáveis por esta crise é a tendência dos grandes grupos econômicos em investir em papéis, para compensar a tendência de queda nas taxas de lucro, criando assim as chamadas "bolhas" financeiras.

É, sem dúvida, uma crise profunda, que se estende por todo o mundo, dado o elevado grau de internacionalização do capitalismo. Já há uma forte recessão na economia mundial, que pode arrastar-se por muitos anos, já tendo produzido efeitos devastadores em diversos países.

Esta crise mostra claramente a fragilidade e a decadência do sistema capitalista, pondo por terra seus pressupostos econômicos e ideológicos. Muitas empresas já promoveram um elevado número de demissões e outras, inclusive, já fecharam suas portas.

No entanto, não se pode afirmar que se trate da crise final do capitalismo: antes da sua ruína final, este sistema tentará buscar alternativas. Além do mais, o capitalismo não cairá de podre. Terá que ser enfrentado e superado.

O desenrolar da crise dependerá da sua condução política, mas sobretudo da correlação de forças no conflito entre o capital e o trabalho, em âmbito mundial, e que tende a se acirrar.

Assim, cabe às forças revolucionárias lutar para que as classes trabalhadoras assumam, organizadamente, o protagonismo do processo de luta, garantindo soluções que, ao mesmo tempo que combatam os efeitos imediatos da crise, criem as condições para que se acumule - na contestação da ordem burguesa, na defesa de seus direitos e na obtenção de novas conquistas, na organização e na consciência dos trabalhadores - a força necessária para assumir a direção política da sociedade no caminho da superação revolucionária do capitalismo. Mais do que nunca, está na ordem do dia a questão do socialismo.

Fundamentalmente, a crise é resultante do acirramento das contradições do capitalismo, agravadas ainda mais pelas políticas neoliberais que prevaleceram, na maior parte do mundo, nos últimos 20 anos.

O capitalismo ainda pode buscar fôlego para se recuperar, mesmo em meio às suas contradições estruturais, como a tendência à concentração e à centralização do capital em grandes conglomerados mundiais, à financeirização e ao encolhimento relativo dos mercados consumidores.

Mas esta tentativa de recuperação certamente deverá agravar as contradições e a luta de classes, na medida em que o capital terá que recorrer ao aumento da expropriação de mais-valia dos trabalhadores, da repressão e criminalização dos movimentos sociais e da agressividade das guerras imperialistas.

A burguesia toma iniciativas para defender seus interesses, utilizando-se dos aparelhos de Estado. Os governos de muitos países com peso na economia mundial, inclusive do Brasil, têm anunciado medidas de intervenção dos Estados para salvar empresas industriais e bancos à beira da insolvência e para incentivar o consumo. Obama e Sarkozy falam até em uma reestruturação, um “Capitalismo do Século XXI”, tentando separar o capitalismo “bom” do “ruim”. Vários países vêm anunciando, também, medidas de natureza protecionista, visando garantir o nível de produção, manter e aumentar o nível de emprego interno, potencializando conflitos de interesses inter-burgueses.

A adoção destas medidas põe por terra a onda neoliberal que prevaleceu no mundo nas últimas décadas. Sabemos, entretanto, à luz de Marx, que todas estas medidas são limitadas, voltadas para a defesa dos interesses do capital e não terão condições de retomar um alto padrão de acumulação.

Os efeitos da crise foram sentidos no Brasil de forma mais rápida do que desejava o governo Lula, que chegou a trombetear a imunidade da economia brasileira à crise global. Houve forte retração econômica, principalmente quanto à produção industrial, com destaque para o Estado de São Paulo. Os índices econômicos apontam queda na produção no principal parque industrial do país. Tal quadro confirma a relação de dependência da economia brasileira em relação aos grupos exportadores que ganharam com a globalização e que, juntamente com o setor financeiro, compõem uma parte fundamental da base de sustentação do governo Lula.

Frações destacadas da burguesia brasileira, tais como o setor financeiro, o empresariado exportador e o agronegócio, acumularam lucros significativos no período histórico mais recente e consolidaram sua posição hegemônica no Estado brasileiro. O governo Lula completou o ciclo, iniciado nos governos Collor e FHC, da retomada da democracia burguesa e da integração do Brasil ao mercado mundial, mantendo a política neoliberal que prevaleceu ao longo de todo este período.

A burguesia brasileira está tentando tirar proveito da crise, para consolidar a sua integração ao capitalismo internacionalizado e aumentar a taxa de exploração da força de trabalho. Grandes empresas brasileiras já promoveram demissões em massa e redução de jornada com corte de salários, demonstrando a intenção clara de tentar sair da crise rebaixando salários, direitos e garantias dos trabalhadores.

O movimento dos trabalhadores defronta-se com a necessidade premente de reorganizar-se para a resistência aos efeitos imediatos da crise econômica e para avançar na luta contra o sistema capitalista, enfrentando o temor da perda do emprego e uma certa descrença com a possibilidade concreta de conquistar mudanças a seu favor – herança, ainda, do quadro de desmobilização popular provocado pela ascensão do PT ao governo e das políticas compensatórias, de corte populista, de Lula.

Portanto, estamos diante de um momento especial para a luta de classes em nosso país. Os trabalhadores devem se preparar da melhor maneira possível para os embates que virão pela frente. O Partido Comunista Brasileiro conclama os trabalhadores à organização e à luta. Em todos os sindicatos da cidade e do campo, nas organizações da juventude, nos organismos de bairro, nos movimentos sociais, nas bases e núcleos dos partidos políticos, enfim, onde houver condições de organizar a população, todos os militantes têm o dever de realizar um intenso trabalho político visando à construção de uma frente de esquerda anticapitalista, permanente, de partidos, sindicatos e outras organizações, voltada, primordialmente, a desenvolver um calendário de lutas populares e um programa político capaz de promover uma ofensiva ideológica de denúncia do capitalismo e em prol da construção do socialismo.

CONSTRUIR O DIA NACIONAL DE LUTA CONTRA AS DEMISSÕES E A SAÍDA BURGUESA PARA A CRISE! TODO APOIO À MOBILIZAÇÃO DE 1° DE ABRIL!
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RUMO AO 1° DE MAIO DE UNIDADE E DE LUTA!
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Pela reestatização da Petrobras e de todas as demais empresas públicas que foram PRIVATIZADAS!
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Nenhum direito a menos. Avançar rumo a novas conquistas para os trabalhadores!
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26 de fevereiro de 2009
COMISSÃO POLÍTICA NACIONAL
PCB – PARTIDO COMUNISTA BRASILEIRO

26/02/2009

MANIFESTAÇÃO CONTRA A CRISE ECONÔMICA MUNDIAL

No dia 28 de fevereiro, à partir das 09h com concentração no Largo do Pará no centro de Campinas, ocorrerá uma manifestação organizada pelos sindicatos ligados à Intersindical e pelo PCB, contra a crise econômica mundial e seus desdobramentos para os trabalhadores na região metropolitana de Campinas.

O PCB convoca toda a sua militância e convida todos os trabalhadores de Campinas e região e unirem-se contra a precarização das relações de trabalho, a exploração e o desemprego, consequêntes da crise do capitalismo que devasta o mundo.

Trabalhadores de Campinas unidos contra a crise!

Intervençao no Congresso PC Grego

Por Antonio Carlos Mazzeu - PCB
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Caros Camaradas do KKE,

Em nome do Partido Comunista Brasileiro – PCB – quero saldar com alegria e entusiasmo a realização do XVIII Congresso do KKE!
O capitalismo vive uma crise sem precedentes, muito diferente daquela outra de 1929. Ao contrário do que alardeiam os intelectuais orgânicos do capital e os meios de comunicação burgueses, este não é um mero "distúrbio" no setor da liquidez financeira, mas uma aguda e potente Crise de acumulação e de produção que atinge o coração do sistema capitalista como um todo.
Essa decomposição gradual do modo de produção capitalista, que provocou a restruturação produtiva, já nos inícios dos anos 1980, atingiu também a subjetividade da classe trabalhadora, agravada com a débâcle das experiências socialistas do Leste Europeu.
Mas a crise da forma social burguesa e de sua subjetividade golpeou também as lideranças dos trabalhadores e atingiu suas organizações, com maior gravidade os Partidos Comunistas. Alguns sucumbiram ao desespero típico da pequena-burguesia e ao canto da sereia "neoliberal". Outros optaram tragicamente pela auto-dissolução, ou ainda, pelo nocivo institucionalismo reformista e pela conciliação oportunista com o capital.
Mas muitos se mantiveram na resistência, repensando as experiências históricas do nosso movimento, criando novas e contemporâneas formas de luta e de reconstrução ideológica e subjetiva. Nessa perspectiva podemos ver vários Partidos Comunistas, em todo o mundo, realizando esse esforço de responder à esse novo momento da história, tentando dar, como dizia Lenin, respostas concretas para as situações concretas produzidas pela crise do capital. Dentre esses valorosos camaradas destaca-se o KKE que na Europa tem sido um dos baluartes do projeto socialista, não abaixando a guarda ideológica e não aceitando flertes com uma socialdemocracia envergonhada, e travestida de esquerda.
O KKE tornou-se um Partido de liderança e de espelho para o Movimento Comunista Internacional. Juntos, irmanados com os novos movimentos sociais que iniciam a florescer em muitos cantos do mundo, em particular na América do Sul, junto com a brava Cuba Socialista que nos da o exemplo de luta e dignidade, caminharemos para a construção de um mundo novo, que a crise estrutural do capital nos propicia.
Em tempos de cólera, de xenofobia e de ofensiva neofascista na Europa, um Congresso Comunista aparece não somente como alento, mas como momento de resistência e de construção contra-hegemônica do projeto socialista. 'E a resposta civilizatória à tentativa da barbárie. Seu êxito é também a vitória de todos aqueles que lutam por um novo mundo, uma nova socialidade baseada nos valores da liberdade humana.
Viva O KKE!
Viva o Movimento Comunista Internacional!