03/01/2009

DECLARAÇÃO CONJUNTA DA ESQUERDA PALESTINA



Nesta quinta feira, dia 1 de janeiro de 2009, a direção da Frente de Esquerda, da qual participam a Frente Democrática para Libertação da Palestina, a Frente Popular para Libertação da Palestina e o Partido do Povo Palestino, se reuniu para analisar o modo de enfrentar e resistir à criminosa agressão sionista contra o nosso povo e declarou o seguinte:

Continua o brutal ataque contra nosso povo; aumenta o número de mártires entre as crianças, mulheres e idosos; se multiplica, indiscriminadamente, a destruição das casas dos palestinos.

Mas, por nossa vez, a resistência palestina representada pela unidade popular, com participação de todas as organizações e braços armados continua atuando e lutando! Saudamos nosso povo e saudamos nossos aguerridos lutadores!

Hoje o povo palestino escreve uma página de glória que demanda lealdade e responsabilidade ante estes sacrifícios, assim como responder à urgente necessidade de consolidar a Resistência e unir suas fileiras para poder enfrentar o agressor.

Reiteramos, uma vez mais, nossos chamamentos para solucionar a divisão interna e convocamos ao diálogo nacional para recuperar a unidade. No dia de ontem, recebemos dos irmãos Mahmoud Abbas, presidente palestino, e Ismail Haniyeh, respostas positivas neste sentido. Acolhemos com alegria a aceitação e disposição de ambas as partes ao diálogo e a reconciliação e de prevalecer as contradições com o inimigo sionista.

É tempo de sangue e sacrifício; não é suficiente repetir palavras; estes tempos exigem fatos concretos, um movimento urgente e passos precisos e sérios que conduzam ao imediato e desejado diálogo.

Aos filhos de nosso querido povo:


Ainda que hoje estejam marcando o mais valioso exemplo de resistência e sacrifício, convocamos todos a:


1 - Levar a cabo a coordenação local através de um posto de mando unido entre os diferentes braços armados, sem exceção, para que se logre organizar a resistência de forma unida frente ao agressor.


2 - Criar comitês populares nos acampamentos e bairros, nas cidades e aldeias. Que sejam incluídas nessas fileiras todas as forças políticas, organizações da sociedade civil e personalidades nacionais que desejem colaborar para que estas estruturas sejam as que organizem todas as formas de solidariedade e socorro para os necessitados.


3 - Ditos comitês terão a tarefa de coordenar e manter a comunicação com a UNRWA e as sedes municipais e outras instituições oficiais com o objetivo de unir o trabalho e garantir um alto nível de solidariedade e apoio que se faz necessário.


Saudamos o nosso querido povo!
Glória aos nossos mártires!
Vitoria para a Resistência!

Partido do Povo Palestino
Frente Popular para a Libertação da Palestina
Frente Democrática para a Libertação da Palestina
1° de janeiro de 2009

01/01/2009

50 ANOS DEPOIS... O mesmo desafio de fazer a Revolução


"A tirania foi derrubada. A alegria era imensa. Contudo, ainda faltava muita coisa a fazer. Não nos enganemos pensando que agora tudo será mais fácil; talvez, a partir de agora, tudo seja mais difícil".

Essas foram as palavras ditas por Fidel Castro ao povo no dia em que entrou em Havana, em 8 de janeiro de 1959. Muitos não imaginaram o imenso desafio que teriam perante si.

Poucos dias depois, Fidel proclamou o direito à autodeterminação nas relações com os Estados Unidos e isso foi suficiente para iniciarem imediatamente as agressões, os planos de atentados contra ele e para a irritação dos políticos norte-americanos, sendo prova disso os discursos e artigos da época, como por exemplo, o editorial da revista Time, porta-voz dos setores mais conservadores, intitulado "O neutralismo de Fidel Castro é um desafio para os EUA". Nem neutros podiam ser os cubanos diante dos Estados Unidos.

O triunfo da Revolução, em janeiro de 1959, significou para Cuba a possibilidade real, pela primeira vez na sua história, de exercer o direito à livre determinação. Desde esse momento, nem o presidente, nem o Congresso, nem os embaixadores dos EUA puderam decidir o que se podia ou não fazer em Cuba. Acabou a amarga dependência, pela qual, os governantes norte-americanos e seus embaixadores dispunham de um poder muitas vezes maior para decidir em Cuba, que o poder real que tinham para tomar decisões dentro do governo federal dos EUA, em relação a quaisquer dos 50 estados que formam a União.

Foi precisamente em exercício deste direito que, depois de conquistada a independência nacional, começou logo a aplicação do programa anunciado por Fidel no julgamento do Moncada, em 1953, e inserido na sua histórica alegação A História me Absolverá.
Cuba estabeleceu o sistema econômico e social que considerou mais justo e a um Estado socialista com democracia participativa, igualdade e justiça social.

Nessa época, a economia do país caracterizava-se por um escasso desenvolvimento industrial, dependendo fundamentalmente da produção açucareira e de uma economia agrícola concentrada nos latifúndios, onde os latifundiários controlavam 75% do total das áreas agrícolas.

A maior parte da atividade econômica do país e seus recursos minerais eram controlados por capitais norte-americanos, que dispunham de 1,2 milhão de hectares de terra (uma quarta parte do território produtivo), além de controlar a parte fundamental da indústria açucareira, a produção de níquel, as refinarias de petróleo, os serviços de eletricidade e de telefone, a maior parte do crédito bancário, e outros.

O mercado estadunidense abrangia, aproximadamente, 70% das exportações e importações cubanas, sendo os volumes do intercâmbio comercial muito dependentes: Em 1958, Cuba exportava produtos avaliados em 733 milhões de pesos e importava a 777 milhões.

A situação social existente caracterizava-se pelo elevado desemprego e analfabetismo, o sistema de saúde, a assistência social e o estado das moradias da maior parte da população eram precários, e existiam abismais diferenças nas condições de vida entre a cidade e o campo. Existia uma elevada polarização e distribuição desigual das receitas: em 1958, 50% da população dispunha apenas de 11% das receitas e 5% concentrava 26% das rendas. Além disso, a discriminação racial e da mulher, a mendicidade, a prostituição e a corrupção social e administrativa se tinham propalado.
A inadiável solução dos problemas sociais e econômicos mais urgentes da sociedade cubana apenas podiam encarar-se com a livre disposição das riquezas e recursos naturais, e assim, sob o amparo da Constituição, aprovada em 1940 e conforme as normas do Direito Internacional, Cuba exerceu o direito de dispor desses recursos e assumiu as obrigações derivadas disso, indenizando todos os recursos nacionais de terceiros países (Canadá, Espanha, Inglaterra, etc) exctuando os nacionais dos Estados Unidos, cujo governo rejeitou as disposições cubanas e converteu esta decisão do Estado cubano num pretexto para desencadear uma guerra sem precedentes na história das relações bilaterais entre duas nações.os recursos nacionais de terceiros pas recursos e assumiu as obrigada Constituiamental, daproducipativa, igualdade e justiir o
A Revolução não só entregou a propriedade da terra aos camponeses, que até esse momento eram submetidos a condições semi-feudais de produção e obrigados a viverem na extrema pobreza, mas também, os recursos que o país tinha, foram destinados ao desenvolvimento econômico da nação e à melhora das condições materiais e de vida da população. Para termos uma idéia, na década de 80, foram destinados aproximadamente 60 bilhões de pesos à construção de unidades produtivas e de obras sociais.

O processo de industrialização implementado permitiu o início da diversificação econômica e produtiva. Até o início da crise econômica, resultante do colapso da União Soviética e do bloco socialista europeu, entre 1989 e 1991, chamada de período especial em Cuba, aumentou em 14 vezes a capacidade de produção de aços; em seis vezes, a produção de cimento; em quatro vezes, a produção de níquel; em dez vezes, a de fertilizantes; em quatro vezes, a de refinação de petróleo (sem contar a nova refinaria de Cienfuegos); em sete vezes, a produção de têxteis; em três vezes, o turismo, para apenas mencionar alguns setores. Também foram criados novos setores e novas indústrias, como a indústria da construção de maquinarias, a mecânica, a eletrônica, a produção de equipamentos médicos, a indústria farmacêutica, a indústria de materiais da construção, a indústria do vidro, da cerâmica, e outras. A isso se somam os investimentos com que aumentaram e modernizaram as indústrias açucareira, alimentícia e dos têxteis. A esse esforço une-se o desenvolvimento da biotecnologia e da engenharia genética, e outros ramos científicos.

O país também melhorou a infra-estrutura. A geração de eletricidade aumentou em mais de oito vezes, a capacidade de água armazenada aumentou em 310 vezes, de 19 milhões de metros cúbicos em 1958, atualmente é de acima dos 9 bilhões. Também houve diversificação de estradas e rodovias, modernização dos portos e outros. As necessidades sociais foram satisfazendo-se, exceto a habitação, que é o grande problema cubano.

O progressivo crescimento e diversificação do potencial produtivo e a aplicação de um programa social permitiram enfrentar o desemprego. Em 1958, de 6 milhões de habitantes, por volta de um terço da população economicamente ativa estava desempregada, dela, 45% nas zonas rurais, enquanto de 200 mil mulheres empregadas, 70% trabalhava de doméstica. Atualmente, com 11 milhões de habitantes, o número de pessoas empregadas é de mais de 4,5 milhões. Mais de 40% dos trabalhadores são mulheres, representando mais de 60% da força técnica e profissional do país.
Em 1958, a cifra de analfabetos e semi-analfabetos atingia 2 milhões. A média de escolaridade entre as pessoas maiores de 15 anos não ultrapassava a terceira série, mais de 600 mil crianças não freqüentavam a escola e 58% dos professores não tinham emprego. Apenas 45,9% das crianças em idade escolar tinha matriculado e metade delas não freqüentava a escola, conseguindo terminar o ensino primário 6% das crianças matriculadas. As universidades mal tinham capacidade para 20 mil estudantes.
O setor da educação recebeu imediatamente a atenção do Estado revolucionário. O primeiro programa foi a campanha de alfabetização com a participação da população. Construiu-se uma ampla rede de escolas em todo o país e mais de 300 mil professores trabalham no setor. A média de nível escolar entre os maiores de 15 anos é de nona série. Os 100% das crianças em idade escolar matriculam nas escolas e os 98% terminam o ensino primário e 91%, o secundário. Um em cada 11 habitantes é universitário e um em cada oito têm algum nível de preparação técnico-profissional. Há 650 mil estudantes nas universidades e o ensino é gratuito. Além disso, 100% das crianças com deficiências físicas e mentais têm a possibilidade de se prepararem para a vida em escolas especiais.

Em 1958, a precária situação da saúde pública se caracterizava por uma mortalidade infantil que ultrapassava 60 em cada mil nascidos vivos e a mortalidade materna, 118 mil em cada 10 mil. A taxa de mortalidade por gastrenterite era de 41,2 em cada cem mil e a de tuberculose, 15,9 em cada cem mil. Nas zonas rurais, 36% da população padecia parasitas intestinais, 31% malária, 14% tuberculose e 13% febre tifóide. A esperança de vida ao nascer era de 58,8 anos.

A capital do país tinha 61% dos leitos dos hospitais e 65% dos 6.500 médicos. No resto das províncias existia um médico em cada 2.378 habitantes e em todas as zonas rurais da nação existia apenas um hospital.

Atualmente, o atendimento médico é gratuito e Cuba dispõe de mais de 70 mil médicos, havendo um médico em cada 194 habitantes e quase 30 mil deles prestam serviços em mais de 60 países. Foi criada uma rede nacional de mais de 700 hospitais e policlínicas.
Em face da massificação da vacinação (neste momento, são aplicadas 13 vacinas em cada criança), foram virtualmente eliminadas doenças como a poliomielite, a difteria, o sarampo, a coqueluche, o tétano, a rubéola, a parotidite e a hepatite B. A mortalidade infantil é de 5,3 em cada mil nascidos vivos e a esperança de vida é de mais de 77 anos.
Também se prestam gratuitamente serviços médicos de alta tecnologia, que no âmbito internacional não são usualmente considerados básicos, como é o atendimento nas salas de cuidados intensivos nos hospitais pediátricos e de adultos, serviços de cirurgia cardiovascular, serviços de transplante, cuidados especiais de perinatologia, tratamento da insuficiência renal crônica, serviços especiais para a reabilitação física e médica, e outros.

Não só as medidas econômicas e sociais foram a prioridade do Estado revolucionário, mas também os esforços encaminhados a estabelecer a base jurídica interna que possibilitaria o exercício do direito à livre determinação, mediante uma participação direta da população na discussão, análise e aprovação das principais leis do país, entre as quais, a Constituição de 1976, aprovada por 97% dos cubanos maiores de 16 anos, mediante referendo ou outras leis importantes, como o Código Penal, o Código Civil, o Código da Família, o Código da Infância e da Juventude, o Código do Trabalho e da Previdência Social, etc.

Da mesma maneira, a livre determinação do povo cubano também se expressa no direito de defender a nação face à agressão exterior.

Atualmente, mais de quatro milhões de cubanos — trabalhadores, camponeses e estudantes universitários — estão organizados nas milícias em suas áreas de residência ou em suas fábricas e zonas rurais.

Desde 1959, Cuba teve que enfrentar a hostilidade de dez administrações norte-americanas, que pretenderam limitar o direito de livre determinação, mediante agressões e a imposição unilateral de um criminoso bloqueio econômico, comercial e financeiro.
É um princípio universalmente aceito da lei internacional, a proibição da coerção de um Estado contra outro, com o propósito de lhe negar o exercício de seus direitos soberanos. No artigo 24 da Carta das Nações Unidas, assinala-se que as nações deveriam se abster em suas relações internacionais da ameaça ou do uso da força contra a integridade territorial ou a independência política de qualquer Estado.

Durante os últimos 45 anos, os Estados Unidos proibiram o comércio com Cuba, inclusive, alimentos e medicamentos; cancelaram a cota cubana de exportação açucareira; seus cidadãos são proibidos, com fortes sanções, de viajarem à Ilha; proíbem a reexportação de produtos de origem estadunidense que tenham componentes ou tecnologia norte-americana de terceiros países a Cuba; proíbem os bancos em terceiros países de terem contas em dólares com Cuba ou de utilizarem essa divisa em suas transações com a nação cubana; intervêm sistematicamente para impedir ou obstaculizar o comércio e a outorga de financiamento ou ajuda a Cuba por governos, instituições e cidadãos de outros países e organismos internacionais.

Essas medidas obrigaram o nosso país, na década de 1960, a reorganizar suas relações econômicas de uma maneira estrutural, pois se viu obrigado a isso, diante das circunstâncias e por ter criado todos seus mercados fundamentais nos países da antiga Europa oriental, designadamente na ex-União Soviética, impelindo-o a uma reconversão quase total de toda a tecnologia industrial, meios de transporte e outros.

Depois que Cuba perdeu seus mercados naturais no Leste europeu, o governo norte-americano acirrou o bloqueio mediante a Lei Torricelli, em 1992, sob o pretexto da "democracia e dos direitos humanos" para proibir as subsidiárias estadunidenses, estabelecidas em terceiros países e sujeitas a leis dessas nações, de realizarem operações comerciais ou financeiras com Cuba (sobretudo em alimentos e medicamentos), punir com a proibição da entrada nos portos norte-americanos, por 180 dias, de todos os navios que transportem mercadorias para ou de Cuba, medidas que, por serem extraterritoriais, não só prejudicam Cuba, mas também a soberania de outras nações, bem como a liberdade internacional de transporte.

Em 12 de março de 1996, o governo dos Estados Unidos pôs em vigor a Lei Helms-Burton, que agravou as relações entre os dois países e pretendeu atribuir-se o direito de sancionar os cidadãos de terceiros países em cortes norte-americanas, ao passo que determinou sua expulsão ou a negação do visto de entrada nos Estados Unidos, com o objetivo de obstaculizar o esforço que realiza a nação cubana para recuperar sua economia e para conseguir uma maior inserção na economia internacional. O governo dos EUA pretendeu pressionar a população cubana para fazê-la abrir mão de seu empenho de conseguir a livre determinação.

Mais recentemente, os EUA adotaram o Plano Bush, que pretende tornar Cuba uma colônia, mediante um programa anexionista de intervenção, sob o pretexto de uma "transição", onde o Departamento de Estado responsabilizou um de seus dirigentes pela "direção" da nação, quando o Estado revolucionário desaparecer. Este Plano, pelo qual George W. Bush decidiu "precipitar o dia em que Cuba seja livre", acirra o bloqueio e a pressão sobre os cubanos, inclusive, reprime as relações familiares dos cubanos residentes nos Estados Unidos, entrega recursos milionários aos grupos terroristas de Miami, bem como a seus mercenários subordinados à Repartição dos Estados Unidos em Havana e promove fórmulas para desestabilizar o país e incrementar a pressão internacional sobre a Ilha.

Esta hostilidade norte-americana teve outras manifestações de agressão que inclui desde a agressão militar pela Baía dos Porcos, em 1961, a guerra suja dos bandos contra-revolucionários, apoiados e munidos militarmente pela Agência Central de Inteligência dos Estados Unidos, a guerra bacteriológica contra as plantações (cana-de-açúcar, fumo e cítricos), animais (febre suína) e pessoas (dengue hemorrágica) , até os planos de sabotagem, bombardeios, mediante o uso de aviões espias e atentados contra os principais dirigentes da Revolução.

É bem conhecido o trabalho que as organizações terroristas realizam na execução de ações militares contra Cuba, a partir do território norte-americano, promovidas e financiadas pelos meios de comunicação em Miami, que recrutam constantemente aventureiros dispostos a virem a Cuba como espiões para perpetrarem ações de sabotagem, que declaram abertamente que não têm receio de serem processados nem condenados pelas autoridades estadunidenses.

Essa é a causa pela qual jovens patriotas colocam os interesses da nação sobre os pessoais, sacrificando, inclusive, seus parentes, e se infiltram nos grupelhos terroristas. Dessa maneira, conseguem saber de suas atividades, evitando o derramamento de sangue do povo cubano e norte-americano. Eles estão dispostos a pagarem o preço da irracionalidade política do governo dos Estados Unidos, como acontece hoje com os Cinco heróis presos injustamente nos cárceres norte-americanos por lutarem contra o terrorismo.

A isso soma-se o aparelho militar criado pelos Estados Unidos contra Cuba e as constantes atividades contra nosso país, bem como a ocupação ilegal da base naval de Guantánamo em território cubano (que hoje é uma prisão terrorífica), pedaço de território oocupado a Cuba pelos Estados Unidos no início do século passado e que o governo norte-americano se nega a devolver ao povo cubano.

No início de 1990, depois do colapso da União Soviética, isolada e vilipendiada pela reação internacional, Cuba suportou o golpe da perda de seus mercados e demonstrou que podia brilhar com luz própria, porque pôde suportar essa conjuntura pela extraordinária prova de resistência da maioria da população cubana.

A população cubana decidiu apoiar consciente e conseqüentemente a direção política do país, não só porque identifica o sistema com seu próprio interesse, mas também pela maneira responsável com que o Estado assume a crise, reorganizando as forças e projetando estratégias para buscar soluções, apesar do bloqueio norte-americano e dos condicionamentos de seus aliados europeus.

Os sacrifícios provocados por essa situação são duros, mas são suportados não só pelos avanços sociais conseguidos, mas também pela confiança nos dirigentes do país e pela apreciação das pessoas de que seu governo não é um governo decadente nem com crise em sua gestão ou carente de estratégias, mas sim um governo que demonstrou que, ainda nas mais difíceis circunstâncias, jamais deixou de atender a população.

Decorreram 50 anos e o processo libertador chegou até aqui na mesma direção daquela noite, quando Fidel, diante do povo que o aclamava, no quartel-general da tirania naquele momento, disse que talvez, a partir de agora, tudo fosse mais difícil, porque teríamos que lutar para fazer a Revolução.

Com certeza, é o desafio dessa luta a que está vigente nas atuais circunstâncias para eliminar os vícios e enaltecer as virtudes, com Fidel como soldado das idéias, como guia na luta pela liberdade e pela independência.

Os inimigos de Cuba apostam no contrário. Neste mundo, onde a política é uma charge, não podem entender que esta Revolução é um processo de continuidade no seu pensamento e na sua ação e que Fidel continuará sendo o líder da Revolução de hoje e de amanhã, que além de cargos e de títulos, continuará sendo o conselheiro de idéias, ao qual sempre deveremos acudir, porque Fidel conseguiu ultrapassar a vida política para se inserir como algo íntimo na vida familiar da imensa maioria dos cubanos.

27/12/2008

O Legado de Lenin


Vladimir Ilitich Ulianov (Lenin), nasceu em 10 de abril de 1870, na cidade de Simbirsk, Rússia. Seu pai, Ilia Nikolaevitch Ulianov, era pedagogo e ensinava os camponeses nas aldeias. A mãe Maria Alexandrovna Blank, apesar de não ter freqüentado a escola, aprendeu em casa várias línguas estrangeiras, que ensinou a seus filhos; tocava piano e gostava de ler.

Vladimir era o quarto filho de 8 irmãos, dos quais dois morreram ainda pequenos. Alexandre, o mais velho, foi executado em 8 de maio de 1887, com 21 anos de idade por ter participado de um atentado contra o tsar Alexandre III. Após a morte de Alexandre, a família, também já sem o pai (que havia falecido em 12 de janeiro de 1886), mudou-se para Kazan, onde Vladimir entrou na faculdade de Direito.

Na universidade, tornou-se membro de uma associação clandestina de estudantes conterrâneos de Simbirski. Essa organização liderou a primeira mobilização contra as autoridades universitárias em dezembro de 1887. Por ter se destacado na mobilização, por ordem do governador, foi preso juntamente com um grupo de estudantes. Em seguida foi expulso da universidade e da cidade de Kazan, sendo desterrado para uma aldeia – Kokushkino – onde passou a viver sob vigilância policial. Ali encontrou sua irmã Ana, que fora acusada de participar, juntamente com Alexandre, do atentado contra o tsar.

Lenin (pseudônimo que passou a usar para assinar os seus textos a partir de 1901),[1] após ter assistido a execução do irmão Alexandre sentenciou: “Não é esse o caminho que devemos seguir”.[2]

Enquanto esteve exilado em Kokuchkino, dedicou-se ao estudo da estatística e economia. Após um ano de isolamento, retornou para a cidade de Kazan com a intenção de voltar a estudar, mas esse direito lhe foi negado. Entrou para um círculo marxista organizado por N. Fedosseiev, um dos primeiros marxistas da Rússia, do qual foi profundo admirador e o tinha como mestre.

Em razão das dificuldades econômicas e da perseguição policial, mudou-se, em maio de 1889, com a família, para Sâmara, onde conseguiu autorização para prestar exames e concluir a faculdade de Direito.

Posteriormente, compreendendo que as disputas políticas se davam nos grandes centros, mudou-se em 1893, para Petersburgo, onde estabeleceu relação com círculos marxistas e, através deles, ligou-se ao movimento operário. O seu envolvimento com as atividades revolucionárias o levou cada vez mais para o estudo e a militância política. Viajou para diversos países da Europa, como Suíça, França e Alemanha, onde teve contato com as obras de Marx e Engels, que não haviam sido traduzidas para a língua russa. Copiou do alemão o livro A Sagrada Família, levando o manuscrito para seus companheiros. Buscou fortalecer a união dos círculos marxistas e se empenhou para criar um jornal político. Qualquer tipo de publicação era proibido na época e foi por esse intento que, ao publicar A causa operária, Lenin e um grupo de companheiros foram presos e, posteriormente, deportados para a Sibéria [3] por 3 anos.

Deportado e distante das atividades políticas, dedicou-se ao estudo, enviando suas conclusões por cartas, clandestinamente, aos que estavam em liberdade.

Foi através de Nadejda Krupskaia, sua noiva, presa e deportada para cumprir três anos de prisão na Sibéria, que ficou sabendo que, em março de 1898, um pequeno grupo de oito pessoas, na casa de um ferroviário, havia criado o Partido Operário Socialdemocrata da Rússia (Posdr). Essa notícia o animou a continuar os estudos sobre a revolução russa. Para ele, a organização partidária era fundamental, sem a qual o movimento operário estaria condenado à impotência. Esse partido deveria reunir, em suas fileiras, os melhores revolucionários, para que as demais forças sentissem a seriedade e a consistência da organização e se dispusessem a segui-los.

O partido fixou o seu programa sobre a luta pela transformação em dois tempos. Um, o “Programa Mínimo”, tratava das tarefas da revolução democrático-burguesa: derrubar o tsarismo e estabelecer a república democrática; jornada de trabalho de 8 horas; igualdade de direitos entre as nações e autodeterminação dos povos; eliminação da escravidão no campo. O outro, “Programa Máximo”, formulava as tarefas da revolução socialista: derrotar o capitalismo e estabelecer a ditadura do proletariado, onde todos os meios de produção fossem controlados pelos trabalhadores, assim como os meios de comunicação, as escolas e os bancos. Daí o partido se chamar “socialdemocrata”, pois deveria, inicialmente, lutar para estabelecer avanços democráticos, derrubar a monarquia, instalar a república e, num segundo momento, estabelecer uma nova ordem social.

O partido, para Lenin, deveria ser de novo tipo, ou seja, ser de ação revolucionária, orientar e conduzir a luta de classes, reunir os revolucionários e organizá-los em torno de tarefas imediatas, visando o enfraquecimento da classe dominante para levar a classe trabalhadora ao poder.


A teoria da organização


No período em que esteve na Sibéria, escreveu mais de 30 trabalhos. Destacam-se As tarefas dos socialdemocratas russos (1897), onde reafirma que havia uma profunda relação entre as tarefas democráticas e os socialistas e orientava qual devia ser o papel do partido; e O desenvolvimento do capitalismo na Rússia (1899), onde apontou contradições existentes no campo e no desenvolvimento do capitalismo na Rússia. As suas obras mais importantes, onde expõe as concepções organizativas, são: Por onde começar?, Carta a um camarada, Que fazer?, Um passo à frente e dois passos atrás, Duas táticas da socialdemocracia e As teses de abril. É na Carta a um camarada (1901) e no Que fazer? (concluído em fevereiro de 1902) que estabeleceu as diretrizes da organização partidária e as linhas da construção do partido.

Na Carta a um camarada fez uma “diferenciação” entre o dirigente ideológico e o dirigente prático do partido. O primeiro deveria ser o jornal (Órgão Central), elaborado por um grupo de alta qualificação. O segundo, um grupo central (Comitê Central), ligado a outros comitês formados por militantes qualificados, com a capacidade de “distribuição de literatura, edição de panfletos distribuição de forças, designação de pessoas e grupos para execução de certas tarefas, preparação de manifestações em toda a Rússia, etc.”

Nesses órgãos de direção, não se deveria fazer distinção entre os operários e os intelectuais;ambos deveriam ser conscientes e se dedicarem por inteiro à atividade socialdemocrata. Por sua vez a composição deveria ser de forma simples. Bastava que os membros fossem indicados pela maioria, procurando não ampliar muito o número para que se mantivesse o alto nível. Como conseqüência da repressão intensiva, deviam funcionar com grupos reduzidos, tendo sempre o cuidado de preparar e indicar suplentes, para que, no caso de prisão de dirigentes, estes fossem de imediato substituídos.

Dessa estrutura central, deveria se estender a estrutura de base com círculos e grupos, evitando criar círculos apenas de discussão. Os melhores revolucionários deveriam estar nos comitês ou desempenhando funções especiais, como: imprensa, transportes, propaganda itinerante, brigadas de luta, grupos n exército e prestadores de outros serviços para a sociedade, como tirar documentos de identificação...As atividades práticas deveriam ser amplas e envolver o máximo de militantes.

Para garantir as regras conspirativas, era preciso evitar o contato direto com a redação do jornal e fortalecer o contato pessoal com os militantes. As reuniões e as assembléias gerais deveriam ser feitas raramente, pois a repressão teria muito mais facilidade para se infiltrar. Quando houvesse necessidade de assembléias de até 100 pessoas, o local deveria ser escolhido com critério, preocupando-se em selecionar os participantes vindos como representantes dos círculos de fábrica e de outros grupos. Mas isso não deveria estar regulamentado nos estatutos, visto que o comitê local deveria aproveitar todos os tipos de disfarces, até mesmo passeios no parque, para reunir os operários.

A distribuição da literatura era fundamental. Em uma noite, deveria ser possível atingir e mobilizar toda a população de uma cidade. Nesse sentido, a propaganda não deveria ser feita por um círculo separado em cada região. O Comitê Central deveria se encarregar disso, liberando alguns de seus membros para organizar, com unidade, essa tarefa, procurando envolver pessoas aptas, porque “AS pessoas realmente firmes no terreno dos princípios e capazes de ser propagandistas são muito poucas...”.

Para que o trabalho fosse feito de modo eficiente, era fundamental a disciplina, a integração entre os diferentes círculos, os relatórios das atividades e visitas permanentes. Assim, a organização deveria ser dirigida de forma centralizada por um grupo coeso e bem preparado, mas descentralizar a participação, envolvendo o máximo de grupos e círculos.

* * *

O texto “O trabalho artesanal dos economistas e a organização dos revolucionários”, constitui o quarto capítulo do livro “que fazer?”, onde Lenin aprofundou a crítica sobre as contradições da visão economicista, alertando para os seus adeptos queriam conferir à luta econômica um caráter político e, por isso, defendiam que não havia necessidade de se ter uma organização centralizada. Isso seria submeter a consciência à espontaneidade, que representava uma doença de crescimento do movimento.

No que consistia o método do trabalho artesanal? Esse método se baseava mais no entusiasmo do que na qualificação de seus executores. Esses, completamente desequipados, separados dos círculos e afastados dos velhos militantes mais experientes, atuavam sem qualquer plano. Todas as atividades, embora cativassem de imediato a população, conduziam ao fracasso, pois os militares conheciam quem eram os militantes que atuavam com métodos semelhantes “a bandos de camponeses armados de bordões contra o exército bem preparado”.

Essa “doença” do uso de métodos artesanais não residia apenas na falta de preparação, mas na estreiteza do conjunto do trabalho revolucionário, o que impedia de se chegar a uma boa organização. Para se livrar dos métodos artesanais, era necessário livrar-se do economicismo. As posições economicistas se davam duas direções: as oportunistas, que afirmavam que “os operários ainda não haviam formulado as suas reivindicações”; e as revolucionistas, que defendiam não ser necessário “criar uma organização de revolucionários”, bastando organizar a greve geral. Para Lenin, isso era impossível: a primeira tarefa devia de criar uma organização de revolucionários, “cuja profissão é a ação revolucionária”.

Insistiu na valorização da organização dos operários. Era preciso que “fossem mais numerosas e que suas funções sejam as mais variadas”. Mas, acima de tudo, insistiu que devia haver a organização dos revolucionários:”A luta política da socialdemocracia é muito maior e muito mais complexa do que a luta econômica dos operários contra os patrões e o governo ”. Acontece que pela repressão das mobilizações, na “Rússia o jugo da autocracia apaga, á primeira vista, toda a distinção entre a organização socialdemocrata e a associação operária... ”.

Fundamentalmente as razões da organização dos revolucionários: a) não seria possível um movimento revolucionário sólido sem uma organização estável de dirigentes; b) quanto mais a massa se integrasse à luta, maior seria a necessidade de ter essa organização; c) a organização deveria ser composta por pessoas que fizessem da atividade revolucionária a sua profissão; d) pelas condições do país, quanto mais restringissem a organização aos revolucionários profissionais, tanto mais difícil seria o trabalho da repressão; e) isso ajudaria a atrair pessoas de outras classes para a militância.

Para Lenin, a organização clandestina dos revolucionários não substituiria ou desprezaria o papel das massas. “A concentração de todas as funções clandestinas nas mãos do menor número possível de revolucionários profissionais não significa absolutamente que esses pensarão por todos, que a multidão não tomará parte ativa no movimento. Ao contrário, a multidão fará surgir esses revolucionários profissionais...” As massas passariam por um trabalho educativo. “A centralização das funções clandestinas da organização não significa absolutamente a centralização de todas as funções do movimento”. Nesse sentido, o militante deveria se comportar, diferentemente do secretário do sindicato, como um verdadeiro tribuno popular.

Atacou os que diziam que não havia pessoas para o trabalho revolucionário: “A sociedade oferece um número muito grande de homens aptos ao trabalho, mas não sabemos utilizá-los”. Existiam porque a classe operária oferecia, a cada ano, mais e mais operários descontentes; faltavam porque não havia articuladores para organizá-los e elevar a consciência ao plano dos revolucionários profissionais.

Lenin empenhou-se, também, em responder a questão: a organização centralizada não a levaria ao distanciamento das massas, afastando os revolucionários do trabalho loca l? Na verdade, a excessiva ligação ao trabalho local é que era o problema. Para superar esse problema, enfatizou a importância de perceber o espaço nacional e usou a imprensa como exemplo para mostrar que as publicações locais eram extremamente limitadas. Afirmou que “...Um bom aparelho clandestino exige uma boa preparação profissional de revolucionários e uma divisão rigorosamente lógica do trabalho. Duas condições impossíveis para uma organização local”.

A organização idealizada por Lenin chegou ao poder na Rússia em outubro de 1917. Os passos e os elementos táticos e estratégicos podem ser encontrados nas obras completas de Lenin, publicadas, em Moscou, em 55 volumes.

A vida agitada, a perseguição política que levou Lenin ao exílio por longos anos, os dois atentados a bala e a intensa atividade intelectual, abreviaram a sua vida. Suas forças foram se acabando aos poucos e, no dia 21 de janeiro de 1924, aos 54 anos de idade. Lenin – um dos mais ativos e completos militantes revolucionários da história do socialismo – faleceu.

Após a morte de Lenin, iniciou-se uma batalha interminável para decidir quem seria o seu sucessor. Destacaram-se dois nomes, que lideraram as divergências por quase duas décadas: Stalin e Trotsky. Lenin era a favor do segundo, mas, após a sua morte, Stalin articulou-se e assumiu o comando do governo, desencadeando uma feroz perseguição contra seus inimigos políticos, dentre eles Trotsky, assassinado em 1940, no México.


Extraído do livro “Teoria da Organização política – Escritos de Engels, Marx, Lênin, Rosa e Mao”, (São Paulo, Expressão Popular, 2005) de Ademar Borgo (org., pgs. 127 a 135. Texto de introdução às obras de Lenin: Carta a um camaradaI e ao quarto capítulo do Que fazer?, “O trabalho artesanal dos economistas e a organização dos revolucionários”.




[1] O pseudônimo Lenin apareceu pela primeira vez em 1901, no artigo publicado na revista Zariá com o título de “A questão agrária e os críticos de Marx”. Não há explicação para a escolha desse pseudônimo.
[2] Coletivo de autores do PCUS, Lenine: Biografia, Edições Avante – Lisboa, e Progresso-Moscovo, 1984, pg. 19
[3] Sibéria: para onde eram enviados os presos políticos por ser um lugar a 600 quilômetros da capital, região muito fria e de difícil acesso. Ninguém iria a lugar algum se tentasse fugir.