31/03/2009

ENCONTRO DE FORMAÇÃO POLÍTICA

No próximo domingo, 5 de abril, o Partido Comunista Brasileiro realiza mais uma etapa de seu curso de formação. O tema do próximo encontro será "Marxismo e Estado". O curso será no Sindicato dos Químicos, à partir das 9 horas da manhã, situado na Av. Barão de Itapura, 2022, Jardim Guanabara. Seguem abaixo os textos que servirão de base para nosso encontro. O curso é aberto a todos os interessados.

Lenin. O Estado (1919)
http://www.marxists.org/portugues/lenin/1919/07/11_ga.htm

Lenin. O Estado e a revolução (1917)
http://www.marxists.org/portugues/lenin/1917/08/estadoerevolucao/index.htm

Poulantzas. "O Estado nacional" In: As classes sociais no capitalismo de hoje.

Trabalharemos os seguintes tópicos:

a) Estado como fenômeno das sociedades de classes
b) O Estado em geral e suas variações: escravista, feudal e capitalista
c) Estado e dominação de classe
d) Estado como aparelho repressivo
e) Estado e classes sociais
e) O Estado burguês e a necessidade da revolução violenta
f) O Estado proletário e a extinção do Estado
g) O Estado nacional e a internacionalização do capital

30/03/2009

45 ANOS DO GOLPE DE ABRIL

Caio N. de Toledo*

Há 45 anos – no dia em que o imaginário popular consagra como o “dia da mentira” – era rompida a legalidade democrática vigente no país desde a derrubada da ditadura do Estado Novo (1937-1945).
Hoje, no Brasil, poucos serão aqueles que cometerão o despropósito de propor algum tipo de comemoração pública desta infausta data. Felizmente, nestes dias, em instituições acadêmicas e entidades culturais e políticas, em sindicatos de trabalhadores, em alguns jornais e revistas da grande imprensa e em blogs de jornalistas independentes deverão ocorrer debates que examinarão criticamente os significados e os efeitos do movimento de abril de 1964 na história política e cultural recente do país. Certamente, nenhum veículo da grande mídia nacional ousará afirmar que o pós-1964 no Brasil – comparativamente às ditaduras militares sul-americanas (“mais cruéis”, “mais sanguinárias” etc) – teria sido uma autêntica “ditabranda”. Quem fez isso recentemente, se deu muito mal...
Golpe ou revolução? Àqueles que ainda insistem em denominar este movimento com a noção de “Revolução”, deveríamos lembrar as palavras de um eminente protagonista daquele movimento. Em 1981, em celebrado depoimento, Ernesto Geisel declarou: “o que houve em 1964 não foi uma revolução. As revoluções se fazem por uma idéia, em favor de uma doutrina”. Para o vitorioso de 1964, o movimento se fez “contra Goulart”, “contra a corrupção”, “contra a baderna e a anarquia que destruíam o país”. Estritamente falando, o ex-ditador reconheceu que o movimento liderado pelas Forças Armadas não era a favor da construção de algo novo no país; era, sim, um movimento contra um estado generalizado de coisas que “infelicitavam o povo e a nação brasileira”...
Pertinentes, pois rejeitam a noção de Revolução para caracterizar o 1º. de abril de 1964, as formulações do militar golpista, no entanto, podem ser objeto de uma outra leitura. Assim, é possível – a partir de uma outra perspectiva teórica – ressignificar todos os “contras” presentes no depoimento do militar. Mais apropriado seria então afirmar que 1964 representou: (a) um golpe contra a incipiente democracia política brasileira; (b) um movimento contra as reformas sociais e políticas e (c) uma ação repressiva contra a politização das organizações dos trabalhadores e o extenso e rico debate de idéias que se desenrolava de norte a sul do país.
Em síntese, no pré-1964, as classes dominantes e seus aparelhos ideológicos e repressivos – diante das iniciativas e reivindicações dos trabalhadores no campo e na cidade e de setores das camadas médias – apenas vislumbravam “crise de autoridade”, “subversão da lei e da ordem”, “quebra da disciplina e hierarquia” dentro das Forças Armadas e a “comunização” do país que, no limite, implicariam a “dissolução da família” e o “fim propriedade privada”. Embora, por vezes, expressas numa linguagem “radical” – na “lei ou na marra”, “forca aos gorilas” etc –, as demandas por reformas sociais e políticas pretendiam, fundamentalmente, o alargamento da democracia política e a realização de mudanças no capitalismo brasileiro.
Não se pode, contudo, deixar de reconhecer que, em toda a história republicana brasileira, o golpe contra as frágeis instituições políticas se constituiu uma permanente ameaça. O fantasma do golpe rondou, em especial, os governos democráticos no pós-1946 e, com maior intensidade, a partir dos anos 1960. Pode ser dito que o governo Goulart nasceu, conviveu e morreu sob o espectro do golpe de Estado. Em abril de 1964, o golpe – permanentemente reivindicado por setores privilegiados da sociedade civil – foi, então, definitivamente vitorioso.
O golpe paralisou um rico e amplo debate político, ideológico e cultural que ocorria em órgãos governamentais, partidos políticos, associações e sindicatos de classe, entidades culturais, meios editoriais e de comunicação etc. Nos anos 1960, conservadores, liberais, nacionalistas, socialistas e comunistas formulavam publicamente suas propostas e se mobilizavam politicamente para defender seus projetos sociais e econômicos.
Se o governo Goulart e as forças progressistas tiveram alguma parcela de responsabilidade pelo agravamento da crise política no pré-1964, deve-se, contudo, enfatizar que quem planejou e desencadeou o golpe contra a democracia política foram as classes dominantes – apoiadas por setores médios e incentivadas por órgãos governamentais norte-americanos (Embaixada dos EUA, Departamento de Estado, Pentágono e outras agências de segurança) – e pela alta hierarquia das Forças Armadas brasileiras.
Destruindo as organizações políticas e reprimindo os movimentos sociais de esquerda e progressistas, o golpe foi saudado pelo conjunto do empresariado (industrial, rural, financeiro e investidores estrangeiros), pela alta cúpula da Igreja católica, pela grande imprensa etc. como uma autêntica “Revolução” – com a virtude maior de ter sido ela um movimento “pacífico” e “redentor”. Aliviadas por não terem de se envolver militarmente no país, as autoridades norte-americanas congratularam-se com os militares e civis brasileiros pela “solução” que encontraram na superação da “grave crise política” enfrentada pelo país. A administração Lyndon Johnson (1963-1969) não pode senão festejar pois uma nova (e grandiosa) Cuba teria sido evitada ao sul do Equador...
Embora tivesse simpática acolhida nos meios populares e sindicais, o governo Goulart ruiu como um castelo de areia. Dois de seus principais pilares de apoio – como apregoavam os setores nacionalistas – mostraram ser autênticas peças de ficção. De um lado, o propalado “dispositivo militar”, comandado pelos chamados “generais do povo”; de outro, o chamado 4º. poder que seria representado pelo Comando Geral dos Trabalhadores. Ambos assistiram – sem qualquer reação significativa – a queda inglória de um governo a quem juravam defender destemidamente até com o sacrifício da vida...
É certo que as classes populares e trabalhadoras estiveram ausentes das chamadas “marchas em defesa da família e da propriedade” – organizadas por associações de mulheres católicas da alta burguesia e de setores médios – que, em algumas capitais do país, pediam ostensivamente a destituição de João Goulart. No entanto, as classes populares e os trabalhadores nada fizeram para evitar a derrubada de um governo que, a partir de fins de 1963, passou a defender de forma mais estridente as bandeiras do nacionalismo e das reformas sociais.
Por sua vez, as entidades políticas e os movimentos sociais – no campo e na cidade – que afirmavam representar os trabalhadores e os setores populares nenhum gesto tiveram para se opor ou impedir o golpe que há muito tempo se anunciava no horizonte – nas conversas dos políticos, nas páginas dos jornais e revistas e nas passeatas de ruas. Desarmadas, desorganizadas e fragmentadas, as entidades progressistas e de esquerda – muitas delas caudatárias do governo Goulart – nenhuma resistência ofereceram à ação dos militares. Poucas semanas antes de abril, algumas lideranças de esquerda afirmavam que os golpistas – caso atrevessem quebrar a ordem constitucional – teriam as “cabeças cortadas”. Tratava-se, pois, de uma rompante metáfora... Com a ação dos “vitoriosos de abril”, esta expressão, no entanto, se tornou uma dura e cruel realidade para muitos homens e mulheres durante os longos 20 anos de ditadura militar.
45 anos depois, nada há, pois, a comemorar. Aos setores democráticos e progressistas ainda cabem inadiáveis tarefas na luta pela ampliação da democracia política no país; passados 45 anos, impõe que se faça justiça às vítimas da ditadura militar e que a verdade sobre os fatos ocorridos no período de 1964 a 1985 seja plenamente conhecida por todo o povo brasileiro.

29/03/2009

Partido Comunista russo convoca manifestação contra governo de Putin

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*Efe*, em Moscou
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O Partido Comunista da Rússia convocou para o dia 4 de abril uma manifestação pela renúncia do governo do primeiro-ministro do país, Vladimir Putin, por discordarem das medidas adotadas contra a crise econômica."Uma nova situação revolucionária está se forjando. A firmeza da verticalidade do poder é ilusória", afirmou Gennady Ziuganov, líder do Partido Comunista, citado pela agência Interfax.Ziuganov, várias vezes candidato à Presidência da Rússia, disse que o desemprego cresce, que cada vez mais empresas fecham e que "a paciência do povo tem limite".Além disso, o líder do PC russo destacou que "a baleia" que impulsiona a economia russa, o petróleo e gás, está "perdendo peso rapidamente".Na opinião dele, o fato de as autoridades recorrerem às forças de segurança para combater a oposição demonstra sua "falta de segurança". "Uma coisa é certa: o vento da História volta a soprar do lado das forças de esquerda, das velas de nosso partido", disse.Ziuganov pediu a todos os líderes do PC que se unam aos protestos e ajudem a "formar uma ampla frente de ação para mudar o curso político, econômico e social do país".Especificamente, pediu a renúncia dos ministros da Defesa, Anatoli Serdiukov, por considerá-lo incapaz de modernizar as Forças Armadas, e lembrou que "os militares estão muito descontentes com suas reformas".Sobre o ministro das Finanças, Alexei Kudrin, alvo habitual de suas críticas, Ziuganov acusou-o de acabar com a indústria transformadora e a agricultura.Como medidas programáticas, o líder comunista propôs a nacionalização das indústrias estratégicas e dos setores mais afetados pela atual crise financeira.Além disso, sugeriu obrigar as famílias com mais de US$ 3 milhões em ativos que compre títulos do Estado para apoiar a economia nacional.