05/06/2010

A CRISE É DO CAPITAL, MAS QUEM PAGA A CONTA SÃO OS TRABALHADORES

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imagemCrédito: Latuff

Renato Nucci Junior (Membro do Comitê Central do PCB)

Uma grave crise se abate sobre a União Européia. A incapacidade de alguns dos países que a integram em honrar seu compromisso com o pagamento dos títulos públicos, sendo a Grécia sua primeira e mais notória vítima, levou as nações mais poderosas da UE (Alemanha à frente), a lançar um pacote de ajuda financeira aos países em dificuldade. O pacote não tem outro objetivo senão o de emprestar dinheiro aos países em dificuldades, para garantir que os ativos em risco de inadimplência, sejam resgatados. A soma de recursos mobilizados pode chegar à impressionante cifra de 1 trilhão de euros. Tudo para garantir que os detentores de títulos da dívida pública, em sua maioria banqueiros alemães e especuladores financeiros de todo o mundo, não vejam seu precioso dinheirinho se esfumar.

A conta dessa farra será paga pelos trabalhadores europeus. É que para ter acesso ao pacote de ajuda internacional, os países em dificuldade terão de aplicar medidas fiscais e econômicas duríssimas, com o fito de gerar um superávit capaz de pagar pelos empréstimos recebidos. O famigerado FMI, cujas receitas de ajuste econômico causam recessão econômica e atacam os interesses dos trabalhadores, cobrou dos países europeus “reformas urgentes”. Estas não passam de uma precarização do mercado de trabalho e o “saneamento” das contas públicas pelo corte de direitos e desmonte dos serviços públicos.A intenção é uma só: retirar direitos, cortar salários e reduzir o investimento público, visando garantir os lucros dos credores da dívida pública dos países europeus.

Na Grécia, o Congresso, dominado pelos social-democratas do PASOK, aprovou um corte de 20% nas aposentadorias e pensões, redução de 25% no salário dos funcionários públicos, aumento na idade da aposentadoria, diminuição do investimento nos serviços públicos, ataques às leis de proteção ao trabalho e privatização. Na Espanha, o governo socialista de José Rodríguez Zapatero anunciou um corte de 5% no salário dos funcionários públicos, congelamento no valor das aposentadorias e eliminação de uma ajuda de 2,5 mil euros que as mães recebem ao ter um filho. Outro socialista, o português José Sócrates, primeiro-ministro do governo lusitano, decidiu por cortar 5% dos salários dos funcionários públicos, além de elevar a alíquota de alguns impostos. Na Inglaterra, o novo governo anunciou corte de 7,2 bilhões de euros do orçamento, além de suspender por um ano a contratação de novos funcionários públicos. Na Alemanha o seguro desemprego será cortado em 50% e as idades para aposentadoria aumentarão de 60 para 65 anos no caso das mulheres e de 65 para 70 no caso dos homens. Na Itália, o governo neofascista de Berlusconi propõe o corte nos salários e na contratação de novos funcionários públicos, além de bloquear novos pedidos de aposentadorias. Na França, Nicolas Sarkozy quer elevar a idade para a aposentadoria mínima e o corte de benefícios extras para famílias com mais de três filhos.

Como vemos, serão os trabalhadores europeus que pagarão, com ataques aos seus direitos e até mesmo com redução salarial, a conta da crise do capital. Porém, não será nada fácil para a burguesia européia e mundial, artífices desses ataques, cobrar essa fatura. Os trabalhadores têm demonstrado disposição para resistir às investidas perpetradas pelas grandes potências capitalistas e seus governos. Na Grécia, em poucos meses, os trabalhadores já protagonizaram nove greves gerais com ampla adesão de massa. Em 29 de maio, em Lisboa, uma grande manifestação reuniu cerca de 300 mil pessoas e em outros países europeus o proletariado já principia algumas mobilizações para lutar contra as medidas de ajuste.

A reação dos trabalhadores europeus sinaliza um giro à esquerda por parte de uma classe operária com forte tradição de luta. Porém, a imposição de uma derrota à burguesia e ao seu plano de ajuste dependerá da capacidade da classe operária do Velho Continente em superar a influência ainda exercida pela ideologia e pela política social-democrata. Esta se constitui em um aparelho ideológico de Estado cuja função, na opinião de Poulantzas, é a de “inculcar a ideologia burguesa no interior da classe operária”. Um dos aspectos dessa ideologia é o de institucionalizar as lutas, encaminhando-as sempre para uma saída negociada e conciliatória entre capital e trabalho. Quiçá os termos draconianos do ajuste imposto pela burguesia européia, com apoio de governos social-democratas (casos de Portugal, Grécia e Espanha) e contando com a conivência de alguns partidos socialistas e suas centrais sindicais, levem a uma diminuição em sua base de massa. Mas para tanto, cabe aos comunistas e partidos operários uma tarefa de importância capital: ser, a exemplo dos comunistas gregos, o elemento mais ativo e decidido na organização das lutas que se anunciam e, ao mesmo tempo, através delas, ser capaz de apresentar uma saída anticapitalista e antiimperialista que pavimente o caminho para uma outra sociedade.

Campinas, junho de 2010.

04/06/2010

Ho Chi Min

Escrito por Wladimir Pomar


O Vietnã comemorou, em maio, os 120 anos do nascimento de Ho Chi Min, inclusive com a realização de um seminário internacional para discutir o seu legado. Nesse seminário, abordou, principalmente, suas contribuições nas causas da independência nacional, socialismo, paz, amizade e progresso da humanidade, cultura, ética e dignidade.

Diante dos novos desafios enfrentados pelos Vietnã, em especial pela adoção dos mecanismos de mercado para desenvolver suas forças produtivas, com todas as conseqüências que isso representa, os comunistas vietnamitas parecem empenhados em resgatar os pensamentos históricos de Ho Chi Min como uma bússola que os oriente nesse complexo processo de transição.

Quando Ho Chi Min nasceu, em 1890, o Vietnã, juntamente com o Camboja e com o Laos, fazia parte da chamada Indochina francesa. Uma parte do país, o Nam Ky (Cochinchina) estava subordinada ao regime colonial. Outra parte, o Ban Ky (Tonkin) era um semi-protetorado, enquanto o Trung Ky (Anan) era um protetorado.

Na prática, essa divisão era formal, já que a administração colonial decidia a vida do povo das três regiões, explorava suas riquezas naturais, protegia os produtos industriais franceses em sua concorrência com o artesanato local e reprimia qualquer movimento tendente a recuperar a soberania nacional.

Ho foi o terceiro filho de um homem de cultura, que não se deixara corromper, nem pelo mandarinato, nem pelas possibilidades que os colonialistas ofereciam aos colaboradores. Desse modo, cresceu num ambiente em que a cultura de seu povo, com mais de 3500 anos de história, era estudada e mantida como forma de resistência ao domínio colonial. Aos 15 anos já estava envolvido com as atividades clandestinas que parte da intelectualidade vietnamita desenvolvia contra os colonizadores.

Porém, ao contrário de alguns desses intelectuais, que pretendiam voltar-se para o Japão como contraponto ao domínio colonial, Ho Chi Min sentiu-se mais atraído pelos países ocidentais, como a França. Tais países viviam a contradição de promoverem a liberdade, a igualdade e a fraternidade, mesmo formais, em seu território, ao mesmo tempo em que praticavam a opressão e a exploração contra outros povos, proibindo-os de reivindicar qualquer uma daquelas bandeiras surgidas da revolução de 1789.

Ao terminar seus estudos, em 1908, Ho Chi Min decidiu viajar aos países ocidentais para conhecer como viviam seus povos e tirar daí ensinamentos que pudessem ajudar seus compatriotas a libertar-se do jugo colonial. Saiu do Vietnã como ajudante de cozinheiro de um navio mercante. E durante vários anos conheceu, além da França, Espanha, Portugal e Grã-Bretanha, na Europa; a Tunísia, Congo, Daomé e Senegal, na África; e os Estados Unidos, Brasil e alguns outros países das Américas.

Em cada um desses lugares, permaneceu por algum tempo. Foi cozinheiro na França, limpador de neve e atendente de hotel em Londres, ajudante de pedreiro em Nova York. Em cada uma das cidades em que viveu, mesmo por pouco tempo, fez contato com os emigrados vietnamitas, com os movimentos populares locais, com políticos e intelectuais. Com isso, descobriu a existência de movimentos anti-coloniais, lutas operárias e mobilizações sociais de diferentes tipos dentro dos países imperialistas, a exemplo das ações dos negros norte-americanos

Através dessas viagens e contatos com diferentes povos chegou à conclusão de que "embora as cores da pele fossem diferentes, havia apenas duas qualidades de pessoas sobre a Terra: os exploradores e os explorados". Isto se tornou um ponto de virada em sua visão, já que o pensamento comum dos vietnamitas era que todos os franceses eram colonialistas. Ter o povo francês, principalmente seus trabalhadores, como aliados, tornou-se parte do pensamento adquirido na experiência das viagens de Ho Chi Min.

Durante a primeira guerra mundial, Ho permaneceu na Grã-Bretanha como trabalhador manual. Mas logo que o conflito foi encerrado, resolveu voltar à França, onde se tornou restaurador de pinturas antigas. Ao mesmo tempo, desenvolvia atividades políticas com emigrados vietnamitas e mantinha contatos com os socialistas franceses. Passou a escrever artigos e panfletos sobre a opressão colonial na Indochina e acabou juntando-se ao Partido Socialista.

A ocorrência da revolução russa, em 1917, causou um forte impacto no pensamento de Ho, estimulando-o a conhecer como os russos haviam chegado a tanto. Foi em parte sob a influência desse acontecimento que ele, sob o nome de Nguyen Ai Quoc, decidiu enviar à Conferência de Versalhes a "Petição na Nação Anamita (Vietnamita). A petição foi publicada em 18 de junho de 1919 pelo jornal L’Humanité, sob o título "O direito das nações".

Nessa petição, Ho demandava que o governo francês anistiasse todos os presos políticos, reformasse o sistema judicial vietnamita, dando ao povo do país as mesmas salvaguardas dadas aos europeus, permitisse a liberdade de imprensa, opinião, associação, assembléia e ensino, substituísse o regime de decretos pelo regime da lei, e permitisse a presença de uma delegação permanente de vietnamitas no parlamento francês, para mantê-lo informado de suas aspirações.

Embora a petição não reivindicasse a independência, ela foi uma demonstração de que a luta pela independência dos povos colonizadas estava tomando corpo. A recusa pura e simples da Conferência em examinar a petição levou Ho Chi Min a chegar a outra importante conclusão: as declarações imperialistas sobre liberdade e democracia não eram senão palavras ao vento para enganar os povos oprimidos. Para conquistar a independência e a liberdade os povos tinham que contar com sua própria força.

Isso levou Ho a se voltar ainda mais para a experiência russa. Junto com ativistas do Partido Socialista Francês participou ativamente das atividades de solidariedade aos revolucionários russos contra a intervenção das potências imperialistas que pretendiam derrubar o novo poder na antiga terra dos tzares.

Em 1921, Ho Chi Min tomou conhecimento das teses de Lênin sobre as Nações e a Questão Colonial, apresentadas no segundo congresso da Internacional Comunista. Essas teses, segundo descrição do próprio Ho, o levaram a exclamar que ali estava o que ele e os povos oprimidos procuravam. "Aqui está o que nós necessitamos, aqui está o caminho de nossa libertação". Com isso, o que era uma curiosidade pela experiência da revolução russa, tornou-se uma verdade revelada e um objeto de estudo intenso.

Wladimir Pomar é escritor e analista político.

03/06/2010

Carta ao governo Israelense

Senhores que me envergonham:

Judeu identificado com as melhores tradições humanistas de nossa cultura, sinto-me profundamente envergonhado com o que sucessivos governos israelenses vêm fazendo com a paz no Oriente.Médio.

As iniciativas contra a paz tomadas pelo governo de Israel vem tornando cotidianamente a sobrevivência em Israel e na Palestina cada vez mais insuportável.

Já faz tempo que sinto vergonha das ocupações indecentes praticadas por colonos judeus em território palestino. Que dizer agora do bombardeio do navio com bandeira Turca que leva alimentos para nossos irmãos palestinos? Vergonha, três vezes vergonha!

Proponho que Simon Peres devolva seu prêmio Nobel da Paz e peça desculpas por tê-lo aceito mesmo depois de ter armado a África do Sul do Apartheid.

Considero o atual governo, todos seus membros, sem exceção, merecedores por consenso universal do Prêmio Jim Jones por estarem conduzindo todo um pais para o suicídio coletivo.

A continuar com a política genocida do atual governo nem os bons sobreviverão e Israel perecerá baixo o desprezo de todo o mundo..

O Sr., Lieberman, que trouxe da sua Moldávia natal vasta experiência com pogroms, está firmemente empenhado em aplicá-la contra nossos irmãos palestinos. Este merece só para ele um tribunal de Nuremberg.

Digo tudo isso porque um judeu humanista não pode assistir calado e indiferente o que está acontecendo no Oriente Médio. Precisamos de força e coragem para, unidos aos bons, lutar pela convivência fraterna entre dois povos irmãos.

Abaixo o fascismo!

Paz Já!

Silvio Tendler

Cineasta