23/09/2008

Um processo infame contra Carlos Lozano

Por Juan Cendales (de Rebelión); tradução: Ítalo Rocha.

Está sendo realizado em Bogotá o interrogatório de Carlos Lozano - membro do Comitê Central do Partido Comunista Colombiano, Diretor do semanário A VOZ e integrante da Direção Nacional do Pólo Democrático Alternativo - sob a acusação de supostos vínculos com as FARC, por haver "se excedido" em suas funções de mediador, dizem os acusadores. Alguns dizem que as acusações incluem até o terrorismo e, segundo um comentarista de imprensa, por "não haver feito os esforços necessários para que o PCC renegasse a teoria da combinação de todas as formas de luta".

É óbvio que não é um julgamento contra uma pessoa.
Inicia-se, na Colômbia, um processo de repressão contra o Partido Comunista Colombiano e contra os sobreviventes do genocídio da União Patriótica. Os autores e cúmplices do genocídio contra a UP e o PCC estão ansiosos. O Vice-presidente Santos saiu repentinamente de seu
silêncio prolongado para lançar sandices e impropérios contra o Partido Comunista e contra a União Patriótica. O jornal O Tempo, de sua propriedade, publicou um texto de um militar especialista em difamação.

Nota-se claramente que se trata de uma campanha articulada. Entre outras coisas, buscam desesperadamente atenuar a sentença que a Corte Interamericana deverá aplicar contra o Estado colombiano, pelo genocídio contra a UP e o PCC. Será a maior condenação que algum Estado já terá recebido nestes organismos.

Contra Carlos Lozano não existem elementos para nenhum julgamento. Trata-se de uma
aberta perseguição política do governo através de uma questionada Promotoria.
Será que a acusação de terrorismo tem a ver com a bomba que explodiu no semanário A Voz, em Bogotá, quando Carlos já era seu Diretor? Ou se refere a outra poderosa bomba que deixaram em frente à nova sede de A Voz e que não conseguiu explodir, há apenas dois anos atrás? Ou as tantas vezes que os seguranças ou o próprio Carlos enfrentaram agentes que os seguem provocativamente por toda Bogotá?

O processo que se pretende instaurar na Colômbia trata de dois crimes muito especiais: o crime de opinião e o crime de sobrevivência. Não se pode pensar diferente de como pensa o príncipe, porque isso é um crime. E o outro crime, muito mais grave, mais condenável e perseguido com furor e paixão pelo uribismo é o crime de sobreviver. Carlos Lozano, como a maioria dos atuais dirigentes do Partido Comunista Colombiano, pertence a uma geração de dirigentes que sobrevivem aos mais espantosos genocídios e perseguições. Uma geração que perdeu os seus melhores amigos e camaradas, que um a um foram caindo crivados pelas balas do regime. Deste mesmo regime que hoje julga os sobreviventes.

Sobreviver agora é subversivo. Leonardo Posada, José Antequera, Bernardo Jaramillo, Millar Chacón. São só alguns nomes dessa geração liquidada. Junto a outros um pouco mais velhos, como Manuel Cepeda, Jaime Pardo Leal, Teofilo Forero e outros cinco mil mortos. Não seria nada estranho que, de acordo com a lógica de Uribe e de Santos, eles também sejam chamados a julgamento. Podiam acusá-los talvez de morte ilícita. De terem se excedido em suas mortes. Ou algo parecido. Pode-se esperar qualquer coisa deste regime putrefato do uribismo. Por isso, se requer agora, sem hesitações e sem titubear, a maior solidariedade anti-fascista.

"LATINO-AMERICANOS, UNI-VOS"

22/09/2008

Partido Comunista dos Estados Unidos denuncia ingerência de Bush na Bolívia

O Partido Comunista dos Estados Unidos condena a atitude agressiva do governo Bush frente à Bolívia e a seus vizinhos. O presidente boliviano Evo Morales busca resolver as enormes injustiças históricas de seu país, por meio de uma distribuição mais justa da terra e dos lucros do gás natural e de outras exportações bolivianas.
Em resposta a isto, as elites que controlam os governos estaduais ricos sabotam instalações de gás natural, destróem registros de terra, massacram camponeses e indígenas e chamam abertamente organizações armadas para derrubar Morales, que recentemente venceu a reeleição eleição com 67% dos votos.O atual governo dos EUA, que gosta de pregar a outros países temas como a democracia e o Estado de Direito, está evidentemente apoiando as forças separatistas antidemocráticas. O governo Bush tem enviado verbas a organizações da sociedade civil na Bolívia, e se recusa a revelar para quais organizações e com que objetivos têm enviado tais verbas.
Não é de se admirar que Morales suspeite que Bush financie a oposição reacionária e assim tenha expulsado o embaixador norte-americano. Infelizmente, a expulsão do embaixador tem recebido fortes ameaças do governo dos EUA. Há um enorme receio de que o governo Bush tentará um golpe militar para tirar da Bolívia um governo legalmente eleito e extremamente popular. Esta atitude é uma entre outras ações de Bush que ataca outros países que rejeitam o domínio imperialista, como a Venezuela, Paraguai, Equador, Nicarágua, e claro, Cuba.
É gratificante observar a maioria dos governos regionais apoiando a Bolívia, como vimos na recente conferência no Palácio La Moneda, em Santiago (Chile). O Partido Comunista dos E.U.A. convoca todos os cidadãos norte-americanos a rejeitar as ações do governo Bush e a lutar para pôr um fim à intervenção dos E.U.A. na Bolívia e em todos os países do continente.

20/09/2008

A Crise do Capitalismo e os Trabalhadores

Os trabalhadores não pagarão mais esta conta.

A crise do capitalismo está apenas no começo: a queda nas bolsas, a quebra de empresas e o socorro desmoralizante do Banco Central norte-americano às empresas quebradas são apenas os acordes iniciais de um processo que será longo e doloroso para o sistema capitalista. A crise tende a se espalhar para outras regiões e atingir os fundos de pensão e também a economia real, levando o sistema capitalista à recessão, ao desemprego e à ofensiva contra os trabalhadores e o movimento sindical.

Quando ocorrem crises nestas proporções, o grande capital busca se entrincheirar no Estado, no aparato legal e nos seus organismos institucionais, como os Bancos Centrais, a fim de tentar salvar suas posições. Partem com força quase unitária para ampliar o raio de exploração dos trabalhadores, retirarem-lhes direitos. Tentam de todas as formas recuperar aquilo que estão perdendo na farra da especulação financeira. É justamente nesta hora que os trabalhadores devem mostrar resistência. Não cair na falácia de que “cada um deve dar sua contribuição para que todos se salvem”, haja vista que quem quer ser salva é a burguesia e seu sistema de exploração.

Por isso, essa crise coloca para os trabalhadores imensos desafios: organizar-se e resistir aos ataques que certamente virão. Mas é também nesta conjuntura que o poder da burguesia se fragiliza e que os trabalhadores podem abrir espaço na crise para afirmar seu projeto de emancipação. Mais uma vez, estão colocadas na ordem do dia a inviabilidade do capitalismo enquanto sistema organizador da sociedade humana e a necessidade da construção da alternativa socialista, como única capaz de salvar a humanidade da barbárie.

O PCB, em São Paulo, chama todos os trabalhadores, movimento sindical e social, jovens estudantes e trabalhadores a ampliarem sua organização, fortalecer seu movimento, denunciar qualquer tentativa de criminalização do movimento social e resistir bravamente aos ataques que certamente virão por parte das classes dominantes.

Vamos construir o Bloco Histórico do Proletariado como alternativa ao capitalismo e ampliar o movimento classista rumo ao socialismo.

Comitê Regional do PCB – São Paulo