13/09/2008

Grupo de Estudos Caio Prado Jr.

O Grupo de Estudos Caio Prado Junior realizou, nesse sábado (13/09), uma palestra sobre o tema "Conceito de Hegemonia e Bloco Histórico". O palestrante foi o camarada Antônio Carlos Mazzeo, professor universitário e membro do comitê central do Partido Comunista Brasileiro (PCB).
O camarada Mazzeo abordou diversos aspectos sobre ambos os conceitos, dentre os quais destacamos: (1) o bloco histórico não é uma aliança político-eleitoral; (2) a idéia de bloco histórico surge com a Internacional Comunista em 1925, que defendia a formação de um bloco de 4 classes para enfrentar o imperialismo e o capitalismo em um contexto de derrota da revolução européia, que seriam: o operariado, o proletariado urbano, o campesinato (incluindo os assalariados agrícolas), a pequena-burguesia e a intelectualidade progressista; (3) o bloco histórico pressupõe uma unidade programática e a capacidade de absorver a diversidade; (4) o bloco histórico é temporal, devendo responder aos desafios colocados pela exploração capitalista, no sentido da construção da sociedade socialista; (5) a conquista da hegemonia não ocorre apenas pelo consenso, mas pela coerção, o que implica que a hegemonia do proletariado sobre a sociedade será resultado do confronto; (6) a construção do bloco histórico exige da esquerda brasileira uma cultura de tolerância revolucionária entre as demais forças.
Um último aspecto destacado pelo camarada Mazzeo é de que para o PCB, o bloco histórico deve abranger a classe operária, o proletariado urbano, o subproletariado, os trabalhadores rurais em sua mais diversa configuração (assalariados e pequenos proprietários) e a intelectualidade progressista.
O PCB, bem como o Grupo de Estudos Caio Prado Junior, dará prosseguimento a essas palestras de formação político-ideológica. No dia 11 de outubro o tema será "Estado, capitalismo e democracia". Em breve nosso blog trará mais informações.

12/09/2008

PCV DENUNCIA TENTATIVA DE GOLPE NA VENEZUELA

PCV DENUNCIA TENTATIVA DE GOLPE NA VENEZUELA

O Birô Político do Comitê Central do Partido Comunista da Venezuela (PCV), frente às recentes revelações acerca de uma conspiração em curso, com participação de altos oficiais reformados e na ativa da Força Armada Nacional, com vistas a uma intentona golpista e ao possível assassinato do Presidente Chávez, se dirige à opinião pública nacional e internacional para fazer saber o seguinte:

1 - Declaramos nossa solidariedade ativa ao Comandante Hugo Chávez Frías, Presidente da República Bolivariana da Venezuela, e com o governo que ele preside, e convocamos todos os organismos de nosso Partido, e da Juventude Comunista da Venezuela (JCV), nossos militantes, filiados, simpatizantes e amigos, a se manterem alertas e dispostos à ação de defesa do governo constitucional, sei for necessário.

2 - Insistimos, como temos feito em numerosas outras oportunidades, que por trás de todos os planos conspirativos e golpistas contra nosso governo constitucional e contra nossa revolução bolivariana estão os interesses do imperialismo internacional, e em particular do governo e das grandes corporações dos Estados Unidos. Convocamos o povo da Venezuela, neste sentido, a reafirmar sua vigilância e seu compromisso de luta antiimperialista.

3 - Fazemos um chamado aos nossos partidos aliados, organizações sociais e sindicais, e todas as forças integrantes da Aliança Patriótica, para uma reunião de emergência para coordenar nossos esforços ante esta situação.

4 – Unimo-nos à mobilização convocada por nossos aliados do PSUV para o dia 15 de setembro, com o objetivo de exigir a mais rigorosa investigação dos detalhes desta conspiração por parte da Procuradoria Geral da República e dos órgãos jurisdicionais correspondentes, a fim de desvendar as características e os alcances dos planos golpistas e punir os que estiverem envolvidos.

5 - Convocamos todo o povo venezuelano a demonstrar, por diversos meios, o repúdio às intenções do imperialismo internacional e seus lacaios nacionais, e a manifestar ativamente o apoio ao Presidente Chávez e a seu governo.

6 - Convocamos nossos partidos irmãos do movimento comunista internacional a manifestarem de novo, como sempre fizeram, sua disposição de se unir na denúncia contra as intenções imperialistas e sua solidariedade com o povo venezuelano e o governo revolucionário.

Birô Político do Comitê Central do PCV
Caracas, 11 de setembro de 2008
PARTIDO COMUNISTA DA VENEZUELA – PCV

ÚLTIMAS PALAVRAS À NAÇÃO


Seguramente, esta será a última oportunidade em que poderei dirigir-me a vocês. A Força Aérea bombardeou as antenas da Rádio Magallanes. Minhas palavras não têm amargura, mas decepção. Que sejam elas um castigo moral para quem traiu seu juramento: soldados do Chile, comandantes-em-chefe titulares, o almirante Merino, que se autodesignou comandante da Armada, e o senhor Mendoza, general rastejante que ainda ontem manifestara sua fidelidade e lealdade ao Governo, e que também se autodenominou diretor geral dos carabineros.Diante destes fatos só me cabe dizer aos trabalhadores:
Não vou renunciar!
Colocado numa encruzilhada histórica, pagarei com minha vida a lealdade ao povo. E lhes digo que tenho a certeza de que a semente que entregamos à consciência digna de milhares e milhares de chilenos, não poderá ser ceifada definitivamente. [Eles] têm a força, poderão nos avassalar, mas não se detém os processos sociais nem com o crime nem com a força. A história é nossa e a fazem os povos.
Trabalhadores de minha Pátria: quero agradecer-lhes a lealdade que sempre tiveram, a confiança que depositaram em um homem que foi apenas intérprete de grandes anseios de justiça, que empenhou sua palavra em que respeitaria a Constituição e a lei, e assim o fez.
Neste momento definitivo, o último em que eu poderei dirigir-me a vocês, quero que aproveitem a lição: o capital estrangeiro, o imperialismo, unidos à reação criaram o clima para que as Forças Armadas rompessem sua tradição, que lhes ensinara o general Schneider e reafirmara o comandante Araya, vítimas do mesmo setor social que hoje estará esperando com as mãos livres, reconquistar o poder para seguir defendendo seus lucros e seus privilégios.
Dirijo-me a vocês, sobretudo à mulher simples de nossa terra, à camponesa que nos acreditou, à mãe que soube de nossa preocupação com as crianças.
Dirijo-me aos profissionais da Pátria, aos profissionais patriotas que continuaram trabalhando contra a sedição auspiciada pelas associações profissionais, associações classistas que também defenderam os lucros de uma sociedade capitalista.
Dirijo-me à juventude, àqueles que cantaram e deram sua alegria e seu espírito de luta.Dirijo-me ao homem do Chile, ao operário, ao camponês, ao intelectual, àqueles que serão perseguidos, porque em nosso país o fascismo está há tempos presente; nos atentados terroristas, explodindo as pontes, cortando as vias férreas, destruindo os oleodutos e os gasodutos, frente ao silêncio daqueles que tinham a obrigação de agir. Estavam comprometidos. A historia os julgará.
Seguramente a Rádio Magallanes será calada e o metal tranqüilo de minha voz não chegará mais a vocês. Não importa. Vocês continuarão a ouvi-la. Sempre estarei junto a vocês. Pelo menos minha lembrança será a de um homem digno que foi leal à Pátria. O povo deve defender-se, mas não se sacrificar. O povo não deve se deixar arrasar nem tranqüilizar, mas tampouco pode humilhar-se.
Trabalhadores de minha Pátria, tenho fé no Chile e seu destino.
Superarão outros homens este momento cinzento e amargo em que a traição pretende impor-se.Saibam que, antes do que se pensa, de novo se abrirão as grandes alamedas por onde passará o homem livre, para construir uma sociedade melhor.
Viva o Chile!
Viva o povo!
Viva os trabalhadores!
Estas são minhas últimas palavras e tenho a certeza de que meu sacrifício não será em vão.
Tenho a certeza de que, pelo menos, será uma lição moral que castigará a perfídia, a covardia e a traição.